Como saber qual cliente dá prejuízo: os 7 passos e a tabela que inverte o ranking da carteira

Cartão do post: o maior cliente da carteira é o último em lucro, com R$ 7.220,60 de contribuição líquida sobre R$ 128.000,00 faturados no mês.
Cliente – Calculadora – Topo

O ranking por faturamento esconde quem paga a conta

Todo dono sabe de cor quem são seus maiores clientes. Ele sabe pelo faturamento. A pergunta que quase nenhuma empresa consegue responder é outra: depois de descontar tudo o que aquele cliente custa para ser atendido, quanto sobra de cada um?

Esta página responde isso com número à vista. São 7 passos de cálculo, 8 itens de custo de servir com a instrução de onde medir cada um, e dez tabelas com a aritmética aberta. Começa pela tabela, antes de qualquer conceito.

Carteira de uma empresa ilustrativa de material de construção, R$ 380.000,00 de faturamento no mês. Valores ilustrativos. A mesma carteira, ordenada de duas formas.
PosiçãoOrdenada por faturamentoFaturamento no mêsOrdenada por contribuição líquidaContribuição líquida no mês
1Cliente A, construtoraR$ 128.000,00Cliente C, loja de bairroR$ 13.683,81
2Cliente B, rede de lojasR$ 94.000,00Cliente B, rede de lojasR$ 10.193,10
3Cliente C, loja de bairroR$ 68.000,00Cliente E, serralheriaR$ 10.077,21
4Cliente D, empreiteiraR$ 52.000,00Cliente D, empreiteiraR$ 8.910,99
5Cliente E, serralheriaR$ 38.000,00Cliente A, construtoraR$ 7.220,60
TotalR$ 380.000,00TotalR$ 50.085,71

O maior cliente do faturamento é o último da contribuição. A serralheria, que fatura 3,4 vezes menos que a construtora, entrega R$ 2.856,61 a mais por mês. O cliente C, terceiro do faturamento, é o primeiro da carteira.

A tabela antes e depois, com os números à vista

A contribuição líquida da coluna da direita sai de três subtrações feitas em ordem. Da receita do cliente sai o custo variável da venda. Do que sobra sai o custo de servir aquele cliente. O que resta é a contribuição líquida.

Da receita à contribuição líquida, cliente a cliente. Valores ilustrativos do mês.
ClienteReceitaCusto variávelMargem de contribuiçãoCusto de servirContribuição líquida
A, construtoraR$ 128.000,00R$ 108.480,71R$ 19.519,29R$ 12.298,69R$ 7.220,60
B, rede de lojasR$ 94.000,00R$ 76.331,46R$ 17.668,54R$ 7.475,44R$ 10.193,10
C, loja de bairroR$ 68.000,00R$ 52.398,51R$ 15.601,49R$ 1.917,68R$ 13.683,81
D, empreiteiraR$ 52.000,00R$ 39.365,92R$ 12.634,08R$ 3.723,09R$ 8.910,99
E, serralheriaR$ 38.000,00R$ 27.737,40R$ 10.262,60R$ 185,39R$ 10.077,21
CarteiraR$ 380.000,00R$ 304.314,00R$ 75.686,00R$ 25.600,29R$ 50.085,71

O custo variável de cada linha soma mercadoria, comissão da tabela, frete padrão e imposto sobre a receita. O imposto sai da alíquota efetiva exata de 10,703684% sobre a receita do cliente. A soma dos cinco arredondamentos daria R$ 40.674,01, e o centavo de diferença foi retirado da maior conta para a coluna fechar nos R$ 40.674,00 do mês.

Os três números que fazem o ranking virar

Três diferenças explicam a inversão inteira, e todas as três são mensuráveis com dado que a empresa já tem.

  1. Prazo. A construtora paga em 56 dias. A serralheria paga em 7. O capital parado na mão do cliente A é de R$ 238.933,33, contra R$ 8.866,67 do cliente E.
  2. Entrega. A construtora recebe 22 entregas dedicadas por mês, fora da rota. A serralheria retira no balcão.
  3. Retrabalho. A construtora devolveu 4 pedidos no mês. A serralheria, nenhum.

A margem de contribuição percentual já dava um sinal: 15,2% no cliente A contra 27,0% no cliente E. O custo de servir transforma esse sinal em reais e muda a ordem.

O que isso muda na decisão da semana

Quando o vendedor pede desconto para fechar com a construtora, a pergunta deixa de ser o desconto isolado. Passa a ser o pacote inteiro: desconto, prazo, entrega dedicada e tolerância a devolução. Nesta carteira, o cliente A consome 9,6% da própria receita em custo de servir, contra 0,5% do cliente E.

A mesma informação muda a lista de quem recebe visita, quem recebe reajuste primeiro e quem entra na fila de crédito quando o caixa aperta.

Os 8 itens do custo de servir

Custo de servir é tudo o que a empresa gasta para atender um cliente e que não está dentro do preço do produto. Esta é a única vez que o termo técnico do assunto aparece aqui: o que a literatura chama de análise de rentabilidade por cliente é exatamente esta conta.

Existe uma regra que precisa vir antes dos itens, porque é ela que separa a conta correta da conta inflada. O custo de servir só recebe o que ainda não está dentro da margem de contribuição. O frete da rota normal já está no custo variável, e entra aqui só o excedente. A comissão da tabela já está lá, e entra aqui só a bonificação específica.

Os 8 itens do custo de servir, R$ 25.600,29 no mês, ligados à linha da DRE que já os continha: só R$ 986,00 não têm linha própria.
Cada item do custo de servir já estava em alguma linha da DRE
Os 8 itens do custo de servir: como medir, onde o dado já existe e o critério de atribuição.
ItemComo medirOnde o dado já estáO que entra, para não contar duas vezes
1. Prazo concedidoSaldo médio em aberto multiplicado pela taxa mensal de capital de giroRelatório de contas a receber por cliente, com as parcelas em abertoEntra inteiro. O juro do prazo não aparece em nenhuma linha da DRE operacional. O saldo em aberto já traz o título atrasado, que por isso fica fora do item 8
2. Desconto recorrentePreço de tabela menos preço praticado, por item, nos últimos 12 mesesTabela de preço confrontada com a nota fiscal de vendaEntra zero quando a receita já é lançada líquida do desconto. Nesse caso ele aparece na margem de contribuição percentual
3. Comissão e bonificação específicasPercentual pago acima da regra geral, multiplicado pela receita do clienteRelatório de comissão e notas de débito de bonificaçãoSó o excedente sobre a comissão de tabela, que já está no custo variável
4. Frete, entrega dedicada e reentregaNúmero de entregas fora da rota multiplicado pelo custo unitário da viagem extraRomaneio de carga e manifesto de entrega, com data e destinoSó o excedente sobre o frete da rota padrão, que já está no custo variável
5. Devolução, troca e retrabalhoNúmero de ocorrências multiplicado pelo custo de recolhimento, reembalagem e perdaNota fiscal de devolução e ordem de retrabalhoEntra inteiro, com o custo real de recolher e recompor, sem a receita cancelada
6. Tempo de atendimento fora do padrãoHoras comerciais dedicadas multiplicadas pelo custo da hora contratada da equipeAgenda comercial, registro de ligação e histórico de pedidoSó a hora que excede o atendimento padrão dos demais clientes da mesma faixa
7. Customização exclusivaHoras de preparação mais o material específico consumidoOrdem de separação e requisição de material de embalagemSó a hora operacional de preparação. A hora comercial já foi contada no item 6
8. Cobrança e inadimplênciaHoras de cobrança multiplicadas pelo custo da hora contratada, mais a perda reconhecida dividida por 12Relatório de aging e provisão de perda dos últimos 12 mesesO juro dos dias de atraso fica fora. O prazo do item 1 é medido sobre o saldo em aberto, que já traz o título atrasado dentro

Item 1: prazo concedido, o capital da empresa parado na mão do cliente

Este é o item que mais muda ranking e o que mais some dos relatórios. Vender a prazo significa financiar o cliente com dinheiro que a empresa tomou ou deixou de aplicar. O prazo medido aqui é o do relatório de contas a receber em aberto, com o atraso já dentro dele. A conta está aberta na seção seguinte.

Item 2: desconto recorrente já embutido na tabela

O desconto costuma ser negociado uma vez e repetido para sempre. Quando a nota já sai com o preço reduzido, ele aparece como margem de contribuição menor, e somá-lo de novo no custo de servir conta o mesmo dinheiro duas vezes. Na carteira ilustrativa deste texto o item 2 vale R$ 0,00 nos cinco clientes, e o efeito do desconto está visível na queda da margem percentual do cliente A.

Item 3: comissão e bonificação específicas

Rede de lojas costuma pedir verba de rede, verba de inauguração ou bônus por volume fechado. Isso é dinheiro que sai por causa daquele cliente. Na carteira ilustrativa, o cliente B recebe 1,5% de bônus de rede sobre R$ 94.000,00, o que dá R$ 1.410,00 no mês. O cliente A recebe 0,5% de bonificação de fechamento de obra, R$ 640,00.

Item 4: frete, entrega dedicada e reentrega

A rota programada já está paga dentro do frete do custo variável. O que entra aqui é a viagem que só existiu por causa de um cliente. O critério de atribuição é o manifesto: viagem com um único destino, fora do dia de rota, é do cliente daquele destino.

Item 5: devolução, troca e retrabalho

O custo da devolução é o recolhimento, a reembalagem, a perda de produto danificado e a hora de quem refaz o pedido. A receita cancelada já saiu do faturamento e não entra de novo aqui.

Item 6: tempo de atendimento e suporte fora do padrão

Hora de gente é o custo mais invisível da carteira, porque a folha é fixa e não sobe quando um cliente liga cinco vezes. Ela é medida em horas e valorizada pelo custo da hora contratada da equipe.

A hora desta carteira está valorizada pelo piso, que é o menor custo possível de uma hora contratada em 2026. O salário mínimo é de R$ 1.621,00 (Decreto 12.797, de 23 de dezembro de 2025, art. 1º, conferido no Planalto em 12/09/2026). Sobre ele incidem 35,8% de encargos patronais de empresa do Lucro Presumido. São 20% de contribuição previdenciária e 2% de RAT, pelo art. 22, incisos I e II, da Lei 8.212/1991. Somam-se 5,8% de terceiros e 8% de FGTS, este pelo art. 15 da Lei 8.036/1990. O salário com encargos dá R$ 2.201,32 por mês. O 13º e o terço de férias, com os mesmos encargos, acrescentam R$ 244,59. Fecha em R$ 2.445,91 por empregado por mês.

O denominador precisa ser declarado, porque trocá-lo muda a conclusão. Aqui foram adotadas jornada de 44 horas semanais e divisor mensal de 220 horas. A hora contratada é R$ 2.445,91 dividido por 220, ou seja, R$ 11,12.

Troque os dois números pelos seus: a folha do mês com encargos e provisão, dividida pelas horas contratadas da equipe. O resultado da sua empresa é igual ou maior que R$ 11,12, porque nenhum contrato CLT de jornada integral custa menos que o piso. Quanto maior ele for, mais pesados ficam os itens 6, 7 e 8 da sua carteira. O RAT muda com o grau de risco da atividade e o percentual de terceiros muda com o código FPAS, então confira os dois na sua guia.

Item 7: customização exclusiva

Paletização por pavimento, etiqueta com o código interno da rede, embalagem própria e separação por ordem de serviço são trabalho que só existe para aquele cliente. Na carteira ilustrativa, o cliente A consome 96 horas de paletização especial mais R$ 320,00 de filme e pallet, o que dá R$ 1.387,52. O cliente B consome 44 horas de etiquetagem mais R$ 186,00 de insumo, o que dá R$ 675,28.

Item 8: cobrança e inadimplência daquele cliente

Atraso é prazo que ninguém combinou, e o dinheiro dele já foi cobrado no item 1. O prazo do item 1 sai do relatório de contas a receber em aberto, onde o título atrasado continua aberto até ser pago. Os dias de atraso estão dentro dos dias medidos e dentro do saldo que o item 1 precifica. Essa é a mesma definição usada na calculadora de necessidade de capital de giro, onde os 38 dias desta empresa já vêm com o atraso somado. Cobrar o juro do atraso outra vez aqui conta o mesmo dinheiro duas vezes.

Sobram duas parcelas para o item 8. As horas de cobrança, valorizadas pelo custo da hora contratada. E a perda efetiva dos últimos 12 meses, dividida por 12, para que um calote antigo não distorça um mês isolado.

O cliente D da carteira ilustrativa paga em 22 dias, e o relatório de aging mostra 14 dias de atraso dentro desses 22. Os 22 dias inteiros já estão no item 1, que cobra R$ 701,65 sobre o saldo de R$ 38.133,33. O item 8 dele recebe 11 horas de cobrança a R$ 11,12, ou seja, R$ 122,32, mais R$ 480,00 de perda mensalizada. Fecha em R$ 602,32, que são R$ 535,60 acima do que o cliente A custa na mesma linha, com um faturamento 2,5 vezes menor.

Para dimensionar o risco, o indicador de inadimplência das empresas da Serasa Experian registrou 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes em julho de 2026, com R$ 238,6 bilhões em dívidas. Desse total, 8,7 milhões são micro e pequenas empresas (Serasa Experian, Indicadores Econômicos, consultado em 12/09/2026).

Os 8 itens preenchidos, cliente a cliente

Esta é a tabela que a página existe para publicar. Cada célula sai de um documento que a empresa já emite, e a linha de total de cada item confere com a coluna de total de cada cliente.

Custo de servir por item e por cliente, no mês. Valores ilustrativos. A hora de equipe está valorizada a R$ 11,12 e o prazo a 1,84% ao mês.
ItemA, construtoraB, rede de lojasC, loja de bairroD, empreiteiraE, serralheriaTotal do item
1. Prazo concedidoR$ 4.396,37R$ 2.594,40R$ 1.000,96R$ 701,65R$ 163,15R$ 8.856,53
2. Desconto recorrenteR$ 0,00R$ 0,00R$ 0,00R$ 0,00R$ 0,00R$ 0,00
3. Bonificação específicaR$ 640,00R$ 1.410,00R$ 0,00R$ 0,00R$ 0,00R$ 2.050,00
4. Entrega dedicada e reentregaR$ 3.190,00R$ 1.680,00R$ 570,00R$ 990,00R$ 0,00R$ 6.430,00
5. Devolução e retrabalhoR$ 2.240,00R$ 860,00R$ 280,00R$ 1.140,00R$ 0,00R$ 4.520,00
6. Atendimento fora do padrãoR$ 378,08R$ 222,40R$ 55,60R$ 289,12R$ 22,24R$ 967,44
7. Customização exclusivaR$ 1.387,52R$ 675,28R$ 0,00R$ 0,00R$ 0,00R$ 2.062,80
8. Cobrança e inadimplênciaR$ 66,72R$ 33,36R$ 11,12R$ 602,32R$ 0,00R$ 713,52
Custo de servirR$ 12.298,69R$ 7.475,44R$ 1.917,68R$ 3.723,09R$ 185,39R$ 25.600,29
Sobre a receita do cliente9,6%8,0%2,8%7,2%0,5%6,7%

As quantidades por trás de cada célula ficam registradas ao lado, na planilha. Entregas dedicadas: 22, 14, 6 e 9, a R$ 145,00, R$ 120,00, R$ 95,00 e R$ 110,00 por viagem, conforme a distância do destino. Devoluções: 4, 2, 1 e 3, a R$ 560,00, R$ 430,00, R$ 280,00 e R$ 380,00 por ocorrência, conforme o volume recolhido. Horas de atendimento: 34, 20, 5, 26 e 2. Horas de customização: 96 e 44. Horas de cobrança: 6, 3, 1 e 11. Dias de atraso médio, já dentro do prazo do item 1: 9, 3, 0 e 14. Quantidade e valor precisam morar juntos, porque a negociação acontece sobre a quantidade.

Como precificar o prazo concedido

Prazo tem preço, e o preço é o custo do dinheiro que a empresa precisa ter em caixa enquanto espera. A fórmula tem duas partes.

A fórmula e um exemplo com os números abertos

saldo médio em aberto = faturamento mensal do cliente × prazo médio de recebimento ÷ 30

custo do prazo = saldo médio em aberto × taxa mensal de capital de giro

A taxa usada aqui é a taxa média mensal de juros do crédito livre para pessoas jurídicas, capital de giro total. Ela ficou em 1,84% ao mês em julho de 2026 (Banco Central do Brasil, série SGS 25444, consultada em 12/09/2026). Quem já tem contrato de giro deve usar o custo efetivo do próprio contrato no lugar da média. Na carteira ilustrativa desta página o prazo está precificado pela média de mercado. A escolha é declarada: a média é o número disponível para quem ainda não tem contrato de giro. Uma empresa com custo próprio maior vê cada linha do item 1 subir na mesma proporção, e a segunda e a terceira posição do ranking são sensíveis a isso. A comparação entre as modalidades de crédito de giro está em falta de capital de giro, o que fazer.

No cliente A: R$ 128.000,00 multiplicado por 56, dividido por 30, dá R$ 238.933,33 de saldo médio em aberto. Multiplicado por 1,84%, dá R$ 4.396,37 por mês. É esse valor que aparece na linha 1 do custo de servir dele.

Item 1 calculado cliente a cliente. Valores ilustrativos. A soma do saldo em aberto reproduz os R$ 481.333,33 de contas a receber da empresa.
ClienteFaturamento mensalPrazo médio em abertoSaldo médio em abertoCusto do prazo a 1,84% ao mês
A, construtoraR$ 128.000,0056 diasR$ 238.933,33R$ 4.396,37
B, rede de lojasR$ 94.000,0045 diasR$ 141.000,00R$ 2.594,40
C, loja de bairroR$ 68.000,0024 diasR$ 54.400,00R$ 1.000,96
D, empreiteiraR$ 52.000,0022 diasR$ 38.133,33R$ 701,65
E, serralheriaR$ 38.000,007 diasR$ 8.866,67R$ 163,15
CarteiraR$ 380.000,0038 diasR$ 481.333,33R$ 8.856,53

O cliente A sozinho responde por metade do dinheiro parado na rua. Ele custa R$ 4.396,37 por mês só de prazo, e isso é 22,5% de toda a margem de contribuição que ele gera.

Prazo concedido contra prazo obtido, cliente a cliente

Existe um segundo prazo na conta, e ele é o do fornecedor. A empresa ilustrativa paga seus fornecedores em 30 dias. As duas pernas têm bases diferentes, e é isso que decide o resultado. O cliente deve o preço de venda inteiro. O fornecedor financia só o custo da mercadoria, que nesta empresa é 64,78% da receita. A diferença entre as duas bases é a margem bruta, e ela sai do caixa da empresa mesmo quando o cliente paga em 30 dias.

O custo diário de cada cliente sai do faturamento dele multiplicado pela razão entre o custo da mercadoria vendida e a receita. Nesta empresa a razão é R$ 246.160,00 sobre R$ 380.000,00, ou seja, 64,78%. O prazo obtido é de 30 dias. O saldo com o fornecedor referente a cada cliente equivale a um mês inteiro de compra, ou seja, ao custo da mercadoria dele no mês.

Quem financia quem. Saldo a receber, ao prazo concedido, contra o saldo com o fornecedor, aos 30 dias obtidos. A perna do fornecedor é convertida pelo custo diário. Valores ilustrativos.
ClientePrazo concedido em abertoSaldo a receberSaldo com o fornecedor, 30 dias sobre o custoValor que a empresa financia
A, construtora56 diasR$ 238.933,33R$ 82.917,06R$ 156.016,27
B, rede de lojas45 diasR$ 141.000,00R$ 60.892,21R$ 80.107,79
C, loja de bairro24 diasR$ 54.400,00R$ 44.049,68R$ 10.350,32
D, empreiteira22 diasR$ 38.133,33R$ 33.685,05R$ 4.448,28
E, serralheria7 diasR$ 8.866,67R$ 24.616,00-R$ 15.749,33
Carteira38 diasR$ 481.333,33R$ 246.160,00R$ 235.173,33

A coluna do fornecedor recebeu um centavo na maior conta, pelo mesmo motivo da tabela de imposto, para fechar nos R$ 246.160,00 de custo da mercadoria do mês. Os R$ 235.173,33 conferem com a conta direta da empresa: R$ 481.333,33 de contas a receber menos R$ 246.160,00 de fornecedores.

Só o cliente E financia a operação. Ele paga em 7 dias. O ponto de virada desta empresa está em 19,4 dias, que são 30 dias multiplicados pelos 64,78% de custo sobre a receita. Cliente que paga acima disso consome caixa, mesmo pagando dentro dos 30 dias do fornecedor. C e D pagam em 24 e 22 dias e ainda assim deixam R$ 10.350,32 e R$ 4.448,28 descobertos, porque o fornecedor não financia a margem.

Esta tabela olha duas pontas do giro. A terceira é o estoque, que nesta empresa gira em 45 dias e também converte pelo custo diário. O cálculo completo, com as três pontas e o quadro de preenchimento, está em calculadora de necessidade de capital de giro. Por que a diferença entre prazo concedido e prazo obtido é o que separa o lucro do saldo bancário está em tenho lucro mas não tenho caixa.

Os 7 passos do cálculo

A sequência abaixo é a ordem correta de execução. Pular um passo é o que faz a conta dar errado, principalmente pular o passo 7.

Os 7 passos da conta: de R$ 380.000,00 de receita e R$ 75.686,00 de margem até R$ 50.085,71 de contribuição líquida, com o entregável de cada passo.
Os 7 passos até saber quanto sobra de cada cliente

Passo 1: faturamento por cliente nos últimos 12 meses

A janela é de 12 meses e não de 3. Carteira de material de construção tem sazonalidade de obra, e três meses capturam um pico ou um vale. Com 12 meses você divide por 12 e trabalha com a média mensal. O entregável é uma lista com CNPJ, razão social, receita acumulada e receita média mensal.

Passo 2: custo variável de cada venda daquele cliente

Quatro colunas: mercadoria vendida, comissão da tabela, frete da rota padrão e imposto sobre a receita. O imposto usa a alíquota efetiva da empresa aplicada à receita do cliente, com todas as casas decimais. Arredondar a alíquota para o percentual redondo produz divergência de centavos entre relatórios.

Passo 3: margem de contribuição em reais e em percentual

Receita menos custo variável. O percentual serve para comparar clientes de portes diferentes, e o valor em reais serve para decidir. Nenhum centavo de custo fixo entra neste passo.

Passo 4: os 8 itens do custo de servir, só o que é rastreável

Item sem documento que ligue o gasto ao cliente fica fora. Se você não consegue apontar o romaneio, a nota de devolução ou a linha do aging, aquele valor não é atribuível e a coluna recebe zero. Uma coluna com zero honesto vale mais que uma coluna com estimativa.

Cliente – Calculadora – Meio

Passo 5: a contribuição líquida do cliente

Margem de contribuição menos custo de servir. Esta é a coluna que responde à pergunta do título desta página.

Passo 6: ordenar a carteira por contribuição em reais

A ordenação é pelo valor absoluto, porque é ele que paga o custo fixo e a parcela do banco. O percentual entra como segunda coluna de leitura, para identificar quem é pequeno e eficiente.

Passo 7: decidir por faixa, com o critério escrito antes de olhar os nomes

Escreva o critério de cada faixa e os cortes numéricos antes de abrir a coluna com os nomes. Critério escrito depois de ver quem caiu onde vira justificativa para manter o cliente de quem você gosta. Este é o passo que as planilhas não têm.

Planilha modelo, coluna a coluna, na ordem de preenchimento.
BlocoColunas
Identificação1 razão social, 2 CNPJ, 3 canal, 4 vendedor responsável
Passo 15 faturamento acumulado 12 meses, 6 faturamento médio mensal
Passo 27 mercadoria vendida, 8 comissão de tabela, 9 frete de rota, 10 imposto sobre a receita, 11 custo variável total
Passo 312 margem de contribuição em reais, 13 margem de contribuição em percentual
Passo 414 prazo médio em dias, 15 saldo médio em aberto, 16 item 1 custo do prazo, 17 item 2 desconto, 18 item 3 bonificação extra, 19 item 4 frete excedente, 20 item 5 devolução, 21 item 6 horas de atendimento, 22 item 7 customização, 23 item 8 cobrança e perda, 24 custo de servir total
Passos 5 e 625 contribuição líquida em reais, 26 contribuição líquida em percentual, 27 custo de servir sobre receita, 28 posição no ranking
Passo 729 quadrante, 30 ação definida, 31 prazo da ação, 32 indicador de acompanhamento

A carteira inteira em uma tabela: 5 clientes, duas conclusões opostas

A mesma carteira, com os mesmos números de receita e de custo variável, produz dois rankings opostos conforme o custo fixo seja rateado ou fique abaixo da linha. As duas tabelas abaixo usam os mesmos R$ 380.000,00 de receita e os mesmos R$ 51.700,00 de custo fixo.

A tabela sem rateio

Carteira sem rateio de custo fixo, com o custo de servir medido. Valores ilustrativos.
ClienteMargem de contribuiçãoMargem em %Custo de servirCusto de servir em % da receitaContribuição líquidaPosição
C, loja de bairroR$ 15.601,4922,9%R$ 1.917,682,8%R$ 13.683,811
B, rede de lojasR$ 17.668,5418,8%R$ 7.475,448,0%R$ 10.193,102
E, serralheriaR$ 10.262,6027,0%R$ 185,390,5%R$ 10.077,213
D, empreiteiraR$ 12.634,0824,3%R$ 3.723,097,2%R$ 8.910,994
A, construtoraR$ 19.519,2915,2%R$ 12.298,699,6%R$ 7.220,605
CarteiraR$ 75.686,0019,9%R$ 25.600,296,7%R$ 50.085,71

Uma observação que evita erro grave de leitura. Os R$ 25.600,29 de custo de servir já estavam dentro do custo fixo, do custo variável e do custo financeiro da dívida, com uma exceção de R$ 986,00. São duas parcelas: a perda mensalizada de R$ 480,00 do item 8 e os R$ 506,00 de material de customização do item 7. A demonstração de resultado do mês não isola nenhuma das duas em linha própria. Fora esses R$ 986,00, o cálculo apenas devolve cada pedaço ao cliente que o gerou. Por isso a soma da contribuição líquida, R$ 50.085,71, serve para ordenar a carteira e não para refazer a demonstração de resultado do mês.

A mesma tabela com rateio

Agora o mesmo custo fixo de R$ 51.700,00 é dividido entre os clientes na proporção do faturamento. É assim que a maioria dos sistemas de gestão entrega o relatório de rentabilidade por cliente. O custo de servir fica de fora, porque o sistema não mede nenhum dos 8 itens.

A mesma carteira com custo fixo rateado por faturamento e sem custo de servir medido. Valores ilustrativos.
ClienteMargem de contribuiçãoCusto fixo rateadoResultado do clientePosição
C, loja de bairroR$ 15.601,49R$ 9.251,58R$ 6.349,911
D, empreiteiraR$ 12.634,08R$ 7.074,74R$ 5.559,342
E, serralheriaR$ 10.262,60R$ 5.170,00R$ 5.092,603
B, rede de lojasR$ 17.668,54R$ 12.788,95R$ 4.879,594
A, construtoraR$ 19.519,29R$ 17.414,73R$ 2.104,565
CarteiraR$ 75.686,00R$ 51.700,00R$ 23.986,00

A coluna do rateio também precisou de ajuste de um centavo na maior conta, pelo mesmo motivo da tabela de imposto. O total de R$ 23.986,00 confere com o resultado operacional do mês.

As duas conclusões, lado a lado

Pegue o cliente B e o cliente D. O relatório com rateio coloca D em segundo lugar, com R$ 5.559,34, e B em quarto, com R$ 4.879,59. A conclusão dele é que a empreiteira vale mais que a rede de lojas. A conta com custo de servir medido coloca B em segundo, com R$ 10.193,10, e D em quarto, com R$ 8.910,99. A diferença é de R$ 1.282,11 a favor da rede de lojas. A ordem dos dois se inverte sobre os mesmos clientes, no mesmo mês.

A diferença vem de onde o custo fixo foi parar. O rateio por faturamento carrega mais custo para quem fatura mais, independentemente de quanto trabalho aquele cliente dá. A demonstração aritmética completa de por que o rateio condena o item errado está em empresa fatura bem mas não sobra dinheiro. Aqui fica a regra em duas frases. Custo fixo não muda porque um cliente saiu, e por isso não entra dividido no preço nem no resultado por cliente. Ele volta para a decisão no ponto de equilíbrio e na decisão de abrir ou fechar capacidade.

A espiral de cortes: o que acontece no mês seguinte

O relatório com rateio aponta o cliente A como o pior da carteira, com R$ 2.104,56. É um valor tão baixo que a leitura natural é cortar. A demonstração abaixo segue essa decisão até o terceiro mês.

O mês 1, o mês 2 depois do corte e o mês 3

A premissa está declarada e é ela que produz o efeito: nenhuma linha do custo fixo cai quando o cliente sai. Galpão, folha, contabilidade, sistema e seguro de frota continuam iguais no mês seguinte à saída de uma conta.

Efeito de cortar o cliente que o relatório com rateio condenou, mês a mês. Valores ilustrativos.
MêsReceitaMargem de contribuiçãoCusto fixoResultado operacional
Mês 1, carteira inteiraR$ 380.000,00R$ 75.686,00R$ 51.700,00R$ 23.986,00
Mês 2, sem o cliente AR$ 252.000,00R$ 56.166,71R$ 51.700,00R$ 4.466,71
Mês 3, sem A e sem BR$ 158.000,00R$ 38.498,17R$ 51.700,00-R$ 13.201,83

E o relatório com rateio, refeito a cada mês sobre a carteira que restou, aponta um novo culpado a cada rodada.

O que o relatório com rateio dizia sobre cada cliente, em cada um dos três meses. Valores ilustrativos.
ClienteMês 1Mês 2Mês 3
A, construtoraR$ 2.104,56cortadocortado
B, rede de lojasR$ 4.879,59-R$ 1.616,39cortado
C, loja de bairroR$ 6.349,91R$ 1.650,70-R$ 6.649,14
D, empreiteiraR$ 5.559,34R$ 1.965,83-R$ 4.381,11
E, serralheriaR$ 5.092,60R$ 2.466,57-R$ 2.171,58
TotalR$ 23.986,00R$ 4.466,71-R$ 13.201,83
Cortar o cliente que o rateio condenou leva o resultado de R$ 23.986,00 a R$ 13.201,83 negativos em três meses, com o custo fixo parado em R$ 51.700,00.
A espiral de cortes: o relatório condena um cliente novo a cada mês

No mês 2 o cliente B aparece com R$ 1.616,39 negativos, e ele era o segundo melhor da carteira pela contribuição líquida. No mês 3 os três clientes que sobraram aparecem no vermelho. O relatório nunca acusa a si mesmo.

O corte do cliente A tem um efeito real de caixa. Saem R$ 238.933,33 de contas a receber, e esse dinheiro entra uma vez só, à medida que as parcelas vencem. Depois disso o resultado operacional caiu R$ 19.519,29 por mês, de forma permanente, contra uma parcela de dívida de R$ 27.400,00 que continuou igual. O teto de parcela que a operação suporta está calculado em empresa endividada com bancos, o que fazer.

Onde o custeio por atividades serve e onde ele quebra a decisão de carteira

O custeio baseado em atividades foi proposto por Robin Cooper e Robert S. Kaplan. A referência é o artigo Measure Costs Right: Make the Right Decisions, Harvard Business Review, volume 66, número 5, setembro e outubro de 1988, páginas 96 a 103. O método atribui o custo das atividades a produtos e clientes por meio de direcionadores de consumo. Ele serve muito bem para uma coisa: mostrar onde a capacidade da empresa está sendo consumida, e por quem.

O ponto em que ele quebra a decisão de carteira é o horizonte. O método atribui ao cliente a parcela de estrutura que ele consome, inclusive estrutura que continua existindo se o cliente sair amanhã. A decisão de cortar um cliente acontece no mês seguinte, e no mês seguinte o que sai do caixa é só o que era variável com aquele cliente.

A regra prática que resolve isso é uma pergunta por item: se este cliente sair no dia 30, este gasto some no dia 31? Se some, ele é custo de servir e entra. Se continua, ele é capacidade instalada e fica abaixo da linha. Os 8 itens deste texto passaram por essa pergunta.

A hora liberada quando um cliente sai tem três valores possíveis, e a empresa precisa escolher qual deles vale no caso dela. Vale zero, se a equipe já tinha folga e vai continuar na folha. Vale o custo de contratar por demanda, se a hora vinha sendo comprada de fora. Vale o custo de um perfil sênior, se quem atendia aquele cliente for o profissional mais caro da casa.

O que fazer com cada faixa: manter, repreçar, mudar condição ou encerrar

Diagnóstico sem ação é relatório. A matriz abaixo cruza a contribuição líquida com o custo de servir e entrega uma ação por quadrante. Os cortes desta carteira são a média da própria carteira: contribuição líquida média de R$ 10.017,14 por cliente e custo de servir médio de 6,7% da receita.

Matriz de contribuição líquida contra custo de servir, cortes em R$ 10.017,14 e 6,7%: C e E proteger, B mudar condição, D e A renegociar.
O que fazer com cada faixa da carteira
Matriz de decisão da carteira, com ação, prazo e indicador de acompanhamento. Posições da carteira ilustrativa.
QuadranteQuem cai aquiAçãoPrazoO que medir depois
Contribuição alta, custo de servir baixoC e EProteger o contrato, mapear o que faz esse cliente ser barato de atender e procurar clientes com o mesmo perfil30 dias para o mapa, contínuo para a prospecçãoNúmero de clientes novos com perfil equivalente e o custo de servir deles no terceiro mês
Contribuição alta, custo de servir altoBMudar a condição de atendimento sem mexer no preço: consolidar entrega, padronizar o pedido, cobrar à parte o serviço exclusivo60 dias, com a mudança combinada por escritoCusto de servir em percentual da receita, medido mês a mês contra os 8,0% de partida
Contribuição baixa, custo de servir baixoNenhum cliente desta carteiraRepreçar por faixa, porque o problema está no preço e não no atendimento90 dias, com aviso prévio de reajusteVolume perdido contra o teto de perda que o reajuste comporta
Contribuição baixa, custo de servir altoD e ARenegociar prazo, entrega e devolução antes de qualquer conversa sobre encerrar45 dias para a renegociação, 90 dias para medir o efeitoContribuição líquida em reais e a posição no ranking da carteira

Contribuição alta e custo de servir baixo: proteger e replicar

O cliente C entrega R$ 13.683,81 e consome 2,8% da própria receita em atendimento. O cliente E entrega R$ 10.077,21 com 0,5%. Esses dois sustentam a carteira e costumam ser os menos visitados, porque não dão trabalho. A ação é escrever o que eles fazem diferente: pedido consolidado, retirada no balcão, pagamento curto, pouca devolução. Esse perfil vira briefing de prospecção.

Contribuição alta e custo de servir alto: mudar a condição de atendimento

O cliente B entrega R$ 10.193,10 e consome 8,0% da receita. Ele vale muito e está caro de servir. A alavanca aqui é operacional. Três movimentos mexem em R$ 2.805,28 do custo de servir dele, sem tocar no preço da mercadoria. Consolidar as 14 entregas em 8 vale R$ 720,00. Cobrar a etiquetagem exclusiva como serviço vale R$ 675,28. Rever o bônus de rede na renovação vale R$ 1.410,00.

Contribuição baixa e custo de servir baixo: repreçar por faixa

Este quadrante recebe o cliente pequeno, pontual, que paga em dia e retira na loja, e mesmo assim entrega pouco porque o preço dele está defasado. A ação é reajuste por faixa, aplicado a todos os clientes com o mesmo perfil de consumo, e não a um cliente isolado. Nenhum cliente desta carteira caiu aqui, e isso também é informação: nesta empresa a alavanca de preço não é a primeira.

O cálculo de quanto volume se pode perder em cada percentual de reajuste sem piorar a margem está em como aumentar o preço sem perder clientes. Repreçar sem essa tabela é apostar.

Contribuição baixa e custo de servir alto: renegociar antes de encerrar

É aqui que estão D e A, e é aqui que a maioria das empresas erra por excesso de pressa. O cliente A entrega R$ 19.519,29 de margem de contribuição por mês. Essa margem paga 37,8% de todo o custo fixo da empresa. Cortar essa conta antes de tentar mudar a condição é abrir um buraco de R$ 19.519,29 por mês para resolver um custo de servir de R$ 12.298,69.

A ordem da negociação segue o valor de cada item. No cliente A: prazo primeiro, porque é R$ 4.396,37; entrega dedicada em seguida, R$ 3.190,00; devolução depois, R$ 2.240,00; customização por último, R$ 1.387,52. Quatro conversas, nesta ordem, com o número de cada uma na mesa.

Quando encerrar é a decisão certa

Encerrar se justifica quando três condições aparecem juntas. A contribuição líquida é negativa depois da conta completa. A renegociação foi tentada com número na mesa e recusada por escrito. E existe capacidade comprometida que pode ser realocada para outro cliente já identificado, com pedido em carteira.

Faltando a terceira condição, encerrar troca uma contribuição pequena por uma contribuição zero, e o custo fixo continua no mesmo lugar. Nesta carteira ilustrativa nenhum dos cinco clientes tem contribuição líquida negativa, e portanto nenhum é candidato a encerramento.

O Raio-X de margem da BID faz este levantamento em 30 dias com o dado da sua empresa, e os entregáveis estão descritos em empresa endividada com bancos: o que fazer.

Os detalhes do escopo estão em consultoria empresarial para pequenas empresas.

O exemplo construído levado até a decisão: o cliente A antes e depois

Esta seção fecha a conta da carteira ilustrativa. Todos os números são construídos e servem para mostrar o método, sem representar empresa identificável.

A carteira como o dono via

Cliente A é a maior conta da casa. Ele representa 33,7% do faturamento, o vendedor mais antigo cuida dele, e a saída de uma obra grande dele faz o mês inteiro. Pela leitura de faturamento, ele é o cliente que não se discute.

A carteira depois da conta

Depois dos 7 passos, o cliente A aparece em último lugar da contribuição líquida, com R$ 7.220,60. O item que responde pela maior parte da diferença é o prazo: R$ 4.396,37 por mês, sozinho, o equivalente a 35,7% de todo o custo de servir dele. Somado ao frete excedente de R$ 3.190,00, os dois itens já explicam R$ 7.586,37 dos R$ 12.298,69.

A decisão e o efeito calculado

A decisão foi renegociar quatro condições, na ordem do valor de cada uma.

Custo de servir do cliente A antes e depois da mudança de condição. Valores ilustrativos.
ItemCondição anteriorAntesCondição negociadaDepoisDiferença
1. Prazo concedido56 dias em abertoR$ 4.396,3735 dias em abertoR$ 2.747,73R$ 1.648,64
3. Bonificação específica0,5% sobre a receitaR$ 640,00mantidaR$ 640,00R$ 0,00
4. Entrega dedicada22 viagens no mêsR$ 3.190,0010 viagens programadasR$ 1.450,00R$ 1.740,00
5. Devolução e retrabalho4 ocorrênciasR$ 2.240,00conferência de medição na saída, 1 ocorrênciaR$ 560,00R$ 1.680,00
6. Atendimento fora do padrão34 horasR$ 378,08mantidoR$ 378,08R$ 0,00
7. Customização exclusivapaletização por pavimentoR$ 1.387,52serviço opcional, não contratadoR$ 0,00R$ 1.387,52
8. Cobrança e inadimplência6 horas de cobrançaR$ 66,722 horas de cobrançaR$ 22,24R$ 44,48
TotalR$ 12.298,69R$ 5.798,05R$ 6.500,64

A margem de contribuição do cliente A continuou em R$ 19.519,29, porque nenhuma dessas mudanças mexeu no preço da mercadoria. A contribuição líquida dele passou de R$ 7.220,60 para R$ 13.721,24, e ele saiu do quinto para o primeiro lugar. A distância para o cliente C é de R$ 37,43. A contribuição líquida total subiu de R$ 50.085,71 para R$ 56.586,35.

O efeito de caixa vem separado e precisa ser lido assim. O prazo de 56 para 35 dias reduz o saldo em aberto do cliente A de R$ 238.933,33 para R$ 149.333,33. São R$ 89.600,00 a menos de necessidade de capital de giro. Essa liberação é de uma vez só, não se repete no mês seguinte, e ocorre à medida que as parcelas vencem no prazo novo.

As economias dos itens 4, 7 e 8 liberam 100 horas de equipe e 12 viagens por mês. Elas viram dinheiro no resultado só se a rota for de fato reduzida e se a hora liberada for vendida a outro cliente ou cortada da folha. Enquanto isso não acontece, o ganho está na capacidade disponível e não no extrato.

Por isso o resultado operacional do mês seguinte fica fora desta página: ele depende de decisões de capacidade que a empresa ainda vai tomar. O que está calculado aqui é a ordem da carteira e o valor de cada conversa.

A mesma conta serve para o canal de venda

Trocando a coluna “cliente” por “canal”, os 7 passos funcionam igual. O que muda são os itens 3, 4 e 8 do custo de servir.

O que muda no recorte por canal

  • Item 3. Entra a comissão do marketplace, que é percentual sobre o pedido e vem no relatório de repasse da plataforma. Entra também a taxa do meio de pagamento, que vem no extrato da adquirente. Use a taxa do seu próprio contrato, porque ela varia por categoria e por volume.
  • Item 4. Entra o frete subsidiado, medido como a diferença entre o frete cobrado do comprador e o frete efetivamente pago ao transportador, pedido a pedido.
  • Item 8. No canal digital com pagamento antecipado, o item 8 tende a zero. No canal de venda faturada, ele é a linha mais pesada.

O prazo do item 1 no canal digital é o prazo de repasse da plataforma, que costuma ser bem maior que o prazo do cartão avulso. Ele é medido no relatório de repasse e entra na mesma fórmula.

Por que os recortes ficam em relatórios separados

Cliente, canal e produto respondem a perguntas diferentes e não se somam. O mesmo pedido aparece nos três recortes, e juntar os três numa planilha só produz dupla contagem e discussão sobre qual coluna está certa.

O recorte por produto tem regra própria, porque o que distingue uma linha de produto é a margem de contribuição dela e não o custo de atender. Esse cálculo, com a margem por linha e a ordem das causas, está em empresa fatura bem mas não sobra dinheiro. Para montar a rotina de acompanhamento dos três recortes, a base de controle está em o que é controle de custos.

Perguntas frequentes

Como saber qual cliente dá prejuízo?

Some a receita de 12 meses do cliente, tire o custo variável da venda, tire os 8 itens do custo de servir e veja o que resta. Cliente com contribuição líquida negativa consome caixa. Cliente com contribuição positiva e baixa costuma ter problema de condição comercial: prazo, frete ou devolução fora do padrão da faixa dele.

Dá para fazer isso sem ERP?

Dá. Os dados dos 8 itens vêm de lugares que qualquer empresa de R$ 300 a 500 mil por mês já tem. São cinco fontes: relatório de contas a receber com aging, nota fiscal de venda e de devolução, romaneio de entrega, relatório de comissão e folha de pagamento. Com cinco a vinte clientes, a conta cabe numa planilha com as 32 colunas listadas acima.

Quantos meses de dado são necessários?

Doze. Três meses capturam sazonalidade e produzem ranking instável. Com menos de 12 meses de histórico organizado, use o que existe e registre a janela menor na planilha. Isso muda a confiança na decisão.

O que é custo de servir?

É tudo o que a empresa gasta para atender um cliente específico e que não está no preço do produto: prazo, frete extra, devolução, hora de gente, customização e cobrança. O teste de inclusão é a pergunta do dia 31: se o gasto some quando o cliente sai, ele é custo de servir.

Qual produto da minha empresa dá mais lucro?

Essa é uma pergunta diferente e tem outra conta, baseada na margem de contribuição por linha de produto. Ela está resolvida em empresa fatura bem mas não sobra dinheiro, inclusive com a demonstração de por que ratear custo fixo dentro do produto condena o item errado.

Com que frequência refazer a análise?

A tabela completa, uma vez por semestre. As colunas de prazo médio, devolução e frete excedente, todo mês, porque são as que se deterioram rápido e sem aviso. Quando essa medição entra no fechamento mensal, ela vira controle de rotina, e o formato dessa rotina está descrito em BPO financeiro completo.

Para dimensionar o que está em jogo antes de montar a planilha, a calculadora de perda de receita dá a ordem de grandeza em poucos minutos.

Cliente – Calculadora – Final

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