Clínica particular ou convênio: qual dá mais margem por hora, e em que ponto o convênio deixa de compensar

Cartão da BID Consultoria: clínica ilustrativa de quatro salas com 432 horas de sala vazias no mês, 37,50% das horas abertas, contra 720 horas ocupadas.
Cliente – Calculadora – Topo

A resposta curta: convênio compra ocupação, e ocupação paga enquanto houver hora vazia e enquanto o particular ainda for caro de trazer

A pergunta costuma ser respondida com preço de tabela. Preço de tabela é o número que menos importa aqui. O que decide é quanto sobra por hora de sala, depois de tudo que o dinheiro perde no caminho, e quantas horas cada canal ocupa de fato.

Uma clínica com agenda cheia e uma clínica com 37,50% de ociosidade tomam decisões opostas com a mesma tabela de honorários. As duas estão certas. A diferença está no denominador.

Esta página resolve a decisão de mix e parte do diagnóstico pronto. A reconstrução do mês linha a linha, com o extrato classificado por CPF e CNPJ, está em clínica faturando bem e sem lucro.

A regra de decisão com as três condições

Manter ou ampliar um convênio faz sentido quando as três condições valem ao mesmo tempo. Se uma cair, a conclusão muda.

  1. A margem de contribuição por hora daquele canal é positiva. Depois de glosa, imposto, repasse e material, ainda sobra dinheiro naquela hora. Custo fixo fica fora dessa conta.
  2. Existe hora disponível que o particular não preencheria. Quando o convênio ocupa uma hora que o particular pagaria melhor, a clínica trocou margem por agenda.
  3. A clínica consegue repor aquela hora com particular ao custo de aquisição que ela mede hoje. Esta é a condição que quase ninguém escreve, e é a que quebra clínica. Descredenciar sem saber quanto custa trazer um paciente novo transforma margem alta em agenda vazia.

A terceira condição pede um teste. Divida o gasto de captação dos últimos 12 meses pelos pacientes particulares novos do mesmo período. Depois olhe quantos pacientes novos a clínica trouxe no melhor mês do ano. Esse é o teto realista de reposição, e ele quase nunca é elástico.

Os 4 números que decidem, e onde encontrar cada um

Os quatro números que fecham a decisão de mix, com a origem de cada um dentro da própria clínica.
NúmeroDefiniçãoOnde buscar
Margem por hora do particularPreço praticado menos taxa de meio de pagamento, inadimplência, desconto, imposto, repasse e material, dividido pelas horas de sala entreguesAgenda, extrato da adquirente e contrato de repasse
Margem por hora daquela operadoraValor pago em conta, sem o faturado, menos glosa final, imposto, repasse e materialDemonstrativo, guias e extrato bancário
Taxa de ocupação real, com denominador declaradoHoras ocupadas divididas pelas horas de sala abertas, ou pelas horas de agenda contratada, com a escolha declaradaAgenda, número de salas, horário de funcionamento e escala
Custo de aquisição por paciente particular novoGasto de mídia mais comissão de captação, dividido pelos pacientes particulares novosFatura de mídia, folha de comissão e cadastro de primeira consulta

Ocupação sem denominador declarado funciona como opinião. A escolha entre hora de sala aberta e hora de agenda contratada move o número medido, e o critério para escolher está em custo da hora da clínica.

O erro que faz o convênio parecer viável depois que ele já virou desconto

O erro tem nome: rateio de custo fixo por procedimento. Cada queda de volume aumenta o custo unitário, o que condena um convênio que ainda contribui e alimenta uma espiral de cortes, demonstrada em custo da hora da clínica.

Nesta página o custo fixo fica abaixo da linha, e no exemplo desta série ele soma R$ 105.436,00 no mês, ou R$ 91,52 por hora de sala aberta. Esse número volta no ponto de equilíbrio e na decisão de abrir ou fechar sala, com a conta em custo da hora da clínica.

As 6 deduções entre o preço de tabela e o que cai na conta

Entre o valor da tabela e o dinheiro na conta existem seis deduções neste exemplo. Uma é exclusiva do convênio, duas são exclusivas do particular e três atingem os dois canais, com pesos diferentes. Nenhuma aparece no contrato com o nome de desconto.

Funil das 6 deduções em uma hora de sala de consulta médica: o particular cai de R$ 1.200,00 para R$ 401,01 e o convênio, de R$ 360,00 para R$ 117,30.
As 6 deduções entre o preço de tabela e o que cai na conta
As seis deduções entre o preço de tabela e o dinheiro na conta, com o método de medição em cada caso.
DeduçãoCanalComo medir na sua clínicaOnde o dado está
Glosa finalConvênioValor glosado que a clínica perdeu em definitivo, dividido pelo cobrado da mesma competênciaDemonstrativo confrontado com o lote de guias
Taxa de meio de pagamentoParticularTaxa efetiva por bandeira e por parcela, ponderada pelo mix real de pagamentoExtrato de liquidação da adquirente, não a tabela comercial dela
InadimplênciaParticularValor não recebido sobre a receita particular bruta da mesma competênciaContas a receber vencidas, competência por competência
Imposto sobre a receitaOs doisAlíquota efetiva aplicada sobre a receita bruta de cada canalGuia de recolhimento do mês, com a alíquota confirmada pelo contador
Repasse ao profissionalOs doisPercentual contratado aplicado sobre a base de incidência que o contrato defineContrato de repasse e relatório de produção por profissional
Material e insumoOs doisConsumo por atendimento, apurado por procedimento e não por média da clínicaNota de compra, controle de estoque e ficha do procedimento

Três custos que a clínica paga e que não entram na margem por hora

Custo de aquisição do paciente particular, custo administrativo de faturar convênio e custo do prazo da operadora são reais e saem do caixa. Nenhum dos três entra na margem por hora deste exemplo, e o motivo é diferente em cada caso.

O custo de aquisição e o custo de faturar vivem dentro do custo fixo do mês. A captação está na linha de marketing e captação, de R$ 6.000,00. O faturamento está na folha CLT de recepção, faturamento e administrativo, de R$ 28.400,00. Jogar qualquer um dos dois para dentro do procedimento é o rateio que a seção anterior descartou.

O custo do prazo é de outra natureza. São cerca de 58 dias entre o atendimento e o crédito, que consomem capital de giro, pelo ciclo detalhado em dinheiro parado no convênio.

Os três voltam na decisão, e voltam fora da margem por hora. O custo de aquisição decide se a hora de convênio pode ser reposta por particular, e é ele que fecha ou não a terceira condição da regra.

Convênio: glosa final, a diferença entre o valor cobrado e o valor pago

Três palavras precisam ficar separadas antes de qualquer conta. Glosa inicial é o que a operadora glosou na primeira análise. Glosa final é o que permaneceu glosado depois do recurso. A que entra na margem é a final, porque é a única que virou dinheiro perdido em definitivo. Glosa recorrida e recuperada mede trabalho administrativo.

Os subtipos também não se confundem. Glosa técnica questiona o ato assistencial: procedimento sem indicação registrada, quantidade incompatível com a evolução, item que a operadora entende como incluído em outro. Glosa administrativa questiona a forma: guia fora do prazo, autorização ausente, dado cadastral divergente, código errado. A administrativa é a que a clínica corrige sozinha, e é onde o recurso costuma ganhar.

Existe base pública sobre isso. A ANS publica o Painel de Indicadores de Glosa em dados abertos, por operadora, com carga semestral. Os números abaixo vêm dessa base, no recorte do segundo semestre de 2025.

Distribuição da glosa entre 838 operadoras. Fonte: ANS, Painel de Indicadores de Glosa, dados abertos, carga de 20/07/2026, período 2025-02, consulta em 12/09/2026.
IndicadorPercentual do valor cobrado
Glosa inicial, mediana2,04%
Glosa final, quartil inferior0,33%
Glosa final, mediana1,99%
Glosa final, quartil superior5,11%
Glosa final, nono decil10,39%

A distância entre o quartil inferior e o nono decil é de mais de trinta vezes. Uma operadora no 0,33% e uma operadora no 10,39% cobram preços diferentes pelo mesmo contrato, e nenhuma média do setor descreve as duas.

O número mais duro está na comparação entre glosa inicial e glosa final, nas mesmas 838 operadoras.

Efeito do recurso sobre a glosa, nas 838 operadoras da mesma base. Fonte: ANS, Painel de Indicadores de Glosa, dados abertos, carga de 20/07/2026, período 2025-02.
Resultado do recursoOperadorasPercentual da base
Reduziram a glosa14016,7%
Terminaram o semestre com o percentual idêntico68481,6%
Pioraram141,7%
Não melhorou em nada69883,3%

Entre as 140 que reduziram, a redução mediana foi de 0,18 ponto percentual. O recurso funciona pouco e move pouco, na escala do setor inteiro.

A ressalva acompanha o dado toda vez que ele for usado. É o percentual que a operadora reporta sobre o valor cobrado pelos prestadores. Ele não descreve a glosa que uma clínica específica sofre, e a dispersão vai de 0,33% a mais de 10% entre o quartil inferior e o nono decil. O uso correto é como régua de comparação contra o que você mediu, nunca como expectativa.

Duas leituras não cabem nesse dado. O painel publica percentual, sem valor monetário, então ele não diz quanto dinheiro o recurso devolveu. E o indicador é apurado por operadora, então ele não diz que o seu recurso falha. Ele diz que planejar caixa contando com recuperação é apostar contra a distribuição.

Para medir a sua, o protocolo é curto. Pegue três competências consecutivas. Some o valor cobrado nas guias e o valor creditado em conta. A diferença dividida pelo cobrado é a glosa inicial. Separe o que voltou depois do recurso, e o que restou é a glosa final, que é a que entra na margem.

Particular: taxa de meio de pagamento, inadimplência e desconto de pacote

O particular também perde valor entre a tabela e a conta. No exemplo desta série, a taxa de meio de pagamento é de 2,2% e a inadimplência é de 1,5%, as duas sobre a receita particular bruta. As duas são premissas declaradas, e a sua clínica mede as suas.

A taxa sai do extrato de liquidação da adquirente, não da tabela comercial dela. A inadimplência sai do contas a receber vencido, competência por competência. O desconto médio de pacote costuma viver fora de qualquer relatório, porque é negociado na recepção, e ele não existe como linha no exemplo desta série.

Particular: custo de aquisição do paciente novo

O convênio entrega paciente pronto. O particular precisa ser comprado, e o preço dessa compra é medido: gasto de mídia mais comissão de captação, dividido pelos pacientes particulares novos do período.

Esse número não existe no exemplo desta série, e a ausência é a própria advertência. O que existe é a verba, de R$ 6.000,00 de marketing e captação dentro do custo fixo do mês. Quantos pacientes novos essa verba traz é medição de cada clínica, e sem ela a decisão de mix não fecha.

Um cuidado muda o resultado quando você for medir. Separe paciente novo de paciente recorrente, porque o custo de aquisição foi pago uma vez e já está amortizado quando o mesmo paciente volta. Uma conferência fecha a conta: a soma do que você deduziu no mês precisa dar o desembolso do mês.

A variável seguinte é o teto de demanda. A tabela abaixo inverte a pergunta e mostra quanto cada modalidade precisa devolver para uma verba dobrada se pagar, com as margens por hora calculadas mais adiante nesta página.

Quanto R$ 6.000,00 de verba adicional precisa gerar no canal particular para se pagar, modalidade por modalidade. Derivado das margens por hora da clínica ilustrativa desta série. Cada coluna é calculada sobre o valor impresso à sua esquerda, arredondado. Valores ilustrativos.
ModalidadeMargem por hora do particularHoras novas para a verba se pagarAtendimentos correspondentesPeso sobre as 432 horas de sala vazias
Consulta médicaR$ 401,0114,96 h44,883,46%
FisioterapiaR$ 168,3835,63 h106,898,25%
PsicologiaR$ 73,5481,59 h81,5918,89%
OdontologiaR$ 206,5129,05 h29,056,72%

Leia a última coluna como risco de execução. Na consulta médica, a verba dobrada precisa de 3,46% da capacidade vazia para se pagar. Na psicologia, precisa de 18,89%, e aí o limite deixa de ser a sala e passa a ser a demanda da praça.

A conta em 9 passos: margem de contribuição por hora, canal por canal

A partir daqui, todos os valores vêm da clínica ilustrativa desta série. Nenhum número é de cliente. É a mesma clínica das outras cinco páginas, com as mesmas premissas de capacidade, de preço e de regime tributário.

Premissas da clínica ilustrativa, as mesmas das demais páginas da série. Todos os valores foram construídos e servem para mostrar a mecânica.
PremissaValor
Funcionamento4 salas, 12 horas por dia, 24 dias por mês
Horas de sala abertas288 por sala, 1.152 no mês
Horas ocupadas720, ocupação de 62,50%
Regime tributário assumidoLucro Presumido, sem equiparação hospitalar, presunção de 32%
Imposto sobre a receita16,88% efetivos sobre a receita bruta
Glosa final sobre o convênio4,0%, entre a mediana e o quartil superior da distribuição da ANS, com a ressalva de leitura da seção de glosa final
Inadimplência sobre o particular1,5%
Taxa de meio de pagamento sobre o particular2,2%
Repasse45% na consulta médica, 40% na fisioterapia, 50% na psicologia, 35% na odontologia
Material por atendimentoR$ 4,00 na consulta, R$ 3,00 na fisioterapia, zero na psicologia, R$ 60,00 na odontologia
Receita bruta do mêsR$ 308.780,00, sendo R$ 86.580,00 de convênio e R$ 222.200,00 de particular
Fatia de cada fonte pagadora28,04% convênio e 71,96% particular

A alíquota efetiva de 16,88% é premissa do exemplo e precisa ser confirmada com o seu contador, porque a equiparação a serviços hospitalares e o enquadramento mudam esse número. O repasse do convênio incide sobre o valor pago pela operadora, já líquido de glosa. O repasse do particular incide sobre o preço cheio, e a comparação entre as duas bases está em qual percentual de repasse reter.

Passos 1 e 2: escolher a unidade de cada modalidade e levantar a receita bruta por hora

O passo 1 é o que a maioria dos comparativos pula, e ele decide o ranking inteiro. Comparar especialidades sem declarar quantos atendimentos cabem na hora produz um ranking que é artefato do denominador. O critério de escolha da unidade, com o fator de simultaneidade desenvolvido, está em como calcular o custo da hora da clínica.

As quatro modalidades usam a mesma unidade, que é a hora de sala. O que muda entre elas é quantos atendimentos cabem dentro dessa hora. Na fisioterapia isso vem da supervisão simultânea, e na consulta médica vem da duração de cada consulta.

Unidade de medida por modalidade e receita bruta por hora de sala nos dois canais, na clínica ilustrativa desta série. Valores ilustrativos.
ModalidadeUnidade declaradaAtendimentos por hora de salaPreço particularPreço convênioBruta por hora, particularBruta por hora, convênio
Consulta médicaHora de sala, consultas de 20 minutos3R$ 400,00R$ 120,00R$ 1.200,00R$ 360,00
FisioterapiaHora de sala, 3 pacientes em atendimento simultâneo3R$ 150,00R$ 60,00R$ 450,00R$ 180,00
PsicologiaHora de sala, um a um1R$ 250,00R$ 90,00R$ 250,00R$ 90,00
OdontologiaHora de cadeira, um a um1R$ 600,00R$ 150,00R$ 600,00R$ 150,00

Repare no que o denominador faz com a odontologia. O procedimento odontológico é o item mais caro da tabela nos dois canais, a R$ 600,00 no particular e a R$ 150,00 no convênio. Por hora de sala ele rende R$ 600,00 e R$ 150,00. A consulta médica rende R$ 1.200,00 e R$ 360,00, porque três consultas cabem na hora em que cabe um procedimento.

Passos 3 a 5: glosa, imposto, inadimplência e taxa de meio de pagamento

Convênio com glosa final de 4%, aplicada sobre o faturamento daquele canal. O imposto de 16,88% incide sobre a receita bruta das duas fontes pagadoras, sem distinção entre elas.

No particular, a inadimplência de 1,5% e a taxa de meio de pagamento de 2,2% incidem sobre a receita bruta do canal. Juntas somam 3,7%, contra os 4% de glosa do convênio. As duas pontas são parecidas em percentual e muito diferentes em valor, porque o particular fatura R$ 222.200,00 e o convênio fatura R$ 86.580,00.

O custo de aquisição não entra aqui, pelo motivo já declarado. Ele está dentro do custo fixo do mês e reaparece como teste da terceira condição, no momento de decidir a reposição de agenda.

Passos 6 e 7: repasse do profissional e material

O repasse do exemplo incide sobre a receita bruta no particular, que é como quase toda clínica contrata. Essa base transfere a inadimplência e a taxa de cartão inteiras para a clínica. No convênio ele incide sobre o valor pago, o que divide a glosa entre a clínica e o profissional.

Material por atendimento: R$ 4,00 na consulta, R$ 3,00 na sessão de fisioterapia, zero na psicologia e R$ 60,00 no procedimento odontológico. O material da odontologia é a linha que mais mexe no resultado por hora daquela sala.

Cascata de uma hora de sala de consulta médica nos dois canais, da receita bruta à margem de contribuição, na clínica ilustrativa desta série. Valores ilustrativos, arredondados ao centavo, com cada coluna somando exatamente a margem impressa.
LinhaParticularConvênio
Receita bruta da hora de sala, 3 atendimentosR$ 1.200,00R$ 360,00
Glosa final, 4% sobre o convênioR$ 0,00R$ 14,40
Inadimplência, 1,5% sobre o particularR$ 18,00R$ 0,00
Taxa de meio de pagamento, 2,2% sobre o particularR$ 26,40R$ 0,00
Imposto sobre a receita, 16,88% sobre a brutaR$ 202,59R$ 60,78
Repasse do profissional, 45%R$ 540,00R$ 155,52
Material, R$ 4,00 por atendimentoR$ 12,00R$ 12,00
Margem de contribuição por hora de salaR$ 401,01R$ 117,30

Na coluna do convênio, o repasse de R$ 155,52 é 45% dos R$ 345,60 que sobram depois da glosa. Na coluna do particular, o repasse de R$ 540,00 é 45% dos R$ 1.200,00 cheios. Essa diferença de base vale R$ 6,48 por hora para a clínica, e é o único ponto em que a glosa é dividida com o profissional.

Cliente – Calculadora – Meio

Passo 8: margem por hora, os dois canais lado a lado

Margem de contribuição por hora de sala nas quatro modalidades, nos dois canais, e a diferença entre eles, na clínica ilustrativa desta série. Cada valor é a margem do canal naquela modalidade dividida pelas horas de sala dele, arredondada ao centavo. Valores ilustrativos.
ModalidadeMargem por hora, convênioMargem por hora, particularDiferença por hora
Consulta médicaR$ 117,30R$ 401,01R$ 283,71
FisioterapiaR$ 64,29R$ 168,38R$ 104,09
PsicologiaR$ 28,01R$ 73,54R$ 45,53
OdontologiaR$ 8,28R$ 206,51R$ 198,23
Barras da margem por hora de sala: convênio R$ 117,30, R$ 64,29, R$ 28,01 e R$ 8,28; particular R$ 401,01, R$ 168,38, R$ 73,54 e R$ 206,51; média R$ 142,42.
Margem por hora de sala: convênio contra particular

A ordem por hora de sala não repete a ordem por preço de atendimento. O convênio paga R$ 150,00 pelo procedimento odontológico, o maior preço de convênio da tabela, e devolve R$ 8,28 por hora de sala, o menor de todos. O material de R$ 60,00 consome quase toda a diferença.

A odontologia particular faz o caminho inverso. O mesmo material de R$ 60,00 pesa pouco sobre um preço de R$ 600,00, e a margem por hora sobe para R$ 206,51. O sinal da decisão está no contrato daquela operadora, e não na especialidade.

Nenhuma das oito margens por hora deste exemplo é negativa. Positiva ainda não quer dizer suficiente, porque o custo da estrutura é do mês inteiro e volta no ponto de equilíbrio. Ratear esse custo dentro da hora inverte a conclusão, e a demonstração está em custo da hora da clínica.

Passo 9: multiplicar pela ocupação real de cada canal

Margem por hora ordena. Contribuição mensal decide. O canal de menor margem por hora pode contribuir mais no mês, porque ocupa mais horas, e é isso que a tabela abaixo testa.

Contribuição mensal por modalidade e canal, sobre as 720 horas ocupadas da clínica ilustrativa desta série. Cada célula é a margem de contribuição daquele canal naquela modalidade. A soma das colunas fecha em R$ 102.543,38, um centavo abaixo da margem de contribuição do mês, por arredondamento ao centavo. Valores ilustrativos.
ModalidadeHoras convênioContribuição convênioHoras particularContribuição particular
Consulta médica144 hR$ 16.891,7496 hR$ 38.497,20
Fisioterapia140 hR$ 9.000,8660 hR$ 10.102,78
Psicologia56 hR$ 1.568,33104 hR$ 7.648,61
Odontologia30 hR$ 248,3090 hR$ 18.585,56
Total370 hR$ 27.709,23350 hR$ 74.834,15

Os três percentuais juntos mudam a conversa. O convênio ocupa 370 das 720 horas ocupadas, ou 51,39%. Ele traz 28,04% da receita bruta e devolve 27,02% da margem de contribuição.

Neste mix, o volume de horas do convênio não se converte em contribuição proporcional. A hora ocupada de convênio devolve R$ 74,89 e a hora ocupada de particular devolve R$ 213,81, contra a média de R$ 142,42 do mês inteiro.

Esse resultado vale para este mix e para estes contratos. Uma tabela de convênio 20% melhor ou um material 20% mais barato mudam a conclusão, e é por isso que a conta se refaz a cada renegociação.

A tabela acima mistura duas medidas, e vale declarar. As margens são de produção, calculadas sobre o que foi entregue no mês, e o custo fixo é desembolso do mês. A diferença entre as duas leituras está em DRE e fluxo de caixa.

Esse mês fecha negativo em R$ 2.892,61, com a margem de contribuição de R$ 102.543,39 contra o custo fixo de R$ 105.436,00. A reconstrução linha a linha, com o extrato classificado por CPF e CNPJ, está em clínica faturando bem e sem lucro.

No mix atual, o ponto de equilíbrio fica em 740,31 horas ocupadas, ou 64,26% de ocupação. Ele se move junto com a margem média por hora, e o cálculo está em custo da hora da clínica.

A ociosidade do mês é de 37,50%, o que dá 432 horas de sala que a clínica pagou e não vendeu. A leitura dessa ociosidade sala por sala e faixa por faixa está em clínica faturando bem e sem lucro.

O ponto de virada: quando o convênio deixa de ser volume e vira desconto

O convênio vira desconto no minuto em que a hora que ele ocupa deixa de ser uma hora que ficaria vazia. A partir daí, cada hora de convênio custa a diferença entre as duas margens.

A conta do custo de oportunidade, e por que ela depende do custo de aquisição

A fórmula tem três termos. Margem por hora do particular, menos margem por hora do convênio, multiplicado pelas horas efetivamente deslocadas no mês. O terceiro termo separa a conta correta da conta de planilha.

Veja os dois cenários sobre a diferença de R$ 2.892,61 que falta para o mês empatar. Com 432 horas de sala vazias, preencher 7,21 horas de consulta médica particular cobre a diferença, a R$ 401,01 por hora. Nenhuma hora de convênio sai da agenda nesse caminho.

Agora a variante com a agenda cheia, declarada como outro cenário. Aí cada hora de particular tira uma hora de convênio, o ganho por hora cai para os R$ 283,71 de diferença, e são necessárias 10,20 horas. Mesma clínica, mesma tabela, e dois esforços que se separam pela ociosidade.

A terceira condição da regra decide qual dos dois cenários você está vivendo. Sem o custo de aquisição medido e sem o teto de demanda da praça, as 7,21 horas são um número de planilha.

Como estimar a demanda de particular que a clínica consegue atender

  • Taxa de recusa por agenda cheia. Quantos contatos particulares por mês ouviram que não havia horário e não voltaram. A recepção precisa registrar isso, e a maioria não registra.
  • Tempo até a próxima vaga, por especialidade. Fila de 3 dias e fila de 25 dias descrevem clínicas diferentes. A segunda tem demanda reprimida e pode rever preço antes de pensar em mix.
  • Lista de espera declarada. Nome, especialidade, data do contato e o que foi oferecido.
  • Histórico do custo de aquisição. Custo estável ao dobrar a verba indica espaço. Custo que sobe rápido indica praça saturada, e aí a reposição tem limite estreito.

O limite de concentração em uma única operadora

Concentração de fonte pagadora é risco de caixa, e se trata em caixa. Quando uma única operadora responde por metade ou mais da receita, a decisão unilateral dela vira evento de sobrevivência. Atraso de lote, glosa em massa ou descredenciamento unilateral param a folha no mês seguinte.

A leitura correta cruza duas concentrações: a da fonte pagadora e a da linha de serviço. Uma clínica em que 60% da receita vem de uma operadora, e 70% dessa receita vem de uma especialidade, tem uma operação só. O exercício que antecipa o problema está em montar o fluxo de caixa com o cenário de perda daquela fonte, mês a mês.

Ferramenta gratuita

Compare os seus canais por hora de sala

A calculadora de margem por hora aceita o preço de convênio e de particular de cada modalidade, e mostra lado a lado o que cada arranjo deixa por hora ocupada.

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Quadro de decisão: 4 cenários de mix e o que fazer em cada um

Quadro de 4 quadrantes por ocupação e margem do convênio: ampliar cota, transição por horário ou encerrar contrato; concentração em uma operadora vem antes.
Quadro de decisão de mix: convênio ou particular
Quatro cenários de mix, com ação, prazo, risco de execução e o indicador que confirma em 90 dias.
CenárioDiagnósticoAçãoPrazoRiscoIndicador em 90 dias
Ociosidade alta, margem do convênio positivaA hora vazia custa o mesmo ocupada ou nãoAmpliar cota de agenda no convênio, nos horários de baixa procuraImediatoAmpliar cota e depois não conseguir sair delaOcupação total subindo com margem por hora estável
Agenda cheia, margem do convênio abaixo da do particularO convênio está deslocando particularTransição por horário, sem descredenciar90 a 180 diasPerder o convênio por não cumprir cota mínimaMargem média por hora subindo com ocupação mantida
Margem de contribuição do convênio negativaCada hora vendida consome caixaRenegociar tabela ou encerrar o contrato60 a 90 diasPerder particulares que chegaram por indicação daquele convênioResultado do mês subindo mesmo com queda de faturamento
Uma operadora concentra a maior parte da receitaRisco de sobrevivência antes de qualquer discussão de margemReduzir concentração antes de decidir mix180 a 360 diasMexer na maior fonte de receita sem substituta prontaParticipação da maior operadora caindo sem queda de receita total

Ociosidade alta e margem positiva no convênio

Aqui o convênio trabalha a favor, e a cota tem tamanho calculável. Levante na agenda dos últimos 6 meses as horas vazias por sala e por faixa de horário, e peça como cota no máximo esse teto, faixa por faixa. Aceite a tabela enquanto a margem por hora dela ficar positiva depois de glosa, imposto, repasse e material. E escreva o gatilho de revisão: quando a ocupação particular daquela faixa passar do patamar que você definiu, a cota volta para a mesa.

Agenda cheia e margem do convênio abaixo da do particular

A transição por horário resolve sem romper contrato, em três passos. Primeiro, identifique os horários de maior demanda particular pela distribuição real dos agendamentos dos últimos 6 meses. Segundo, transfira esses horários para particular em lotes de 4 a 8 horas por mês, medindo a ocupação de cada lote antes de liberar o próximo. Terceiro, mantenha o convênio nos horários de baixa procura, que continuam contribuindo.

Margem de contribuição do convênio negativa

Nenhuma das quatro modalidades do exemplo desta série está nesse cenário. Ele aparece na prática, e costuma vir de procedimento com material caro sobre tabela antiga. Margem negativa tem duas saídas e nenhuma terceira. A primeira é renegociar a tabela até a margem virar positiva, com os números na mão. A segunda é encerrar o contrato.

Uma operadora concentra a maior parte da receita

Nesse cenário, a discussão de margem espera. Primeiro vem o plano de redução de concentração, com três frentes que correm juntas. Abrir um segundo convênio de porte parecido. Ampliar a base particular na especialidade que depende daquela operadora. Construir reserva de caixa para 60 dias de folha. Só depois a clínica negocia tabela de verdade, porque só aí a palavra que recusa volta a estar disponível.

Renegociar a tabela antes de descredenciar: o que pedir e com que dado

Renegociação sem dado vira pedido. Com dado, vira proposta. O dossiê que dá poder de barganha usa informação que a clínica já tem, e cabe em duas páginas.

  • Atendimentos entregues por competência, nos últimos 12 meses, por especialidade e por procedimento.
  • Valor cobrado e valor pago, na mesma base, com a diferença explicitada.
  • Glosa final daquela operadora contra as outras operadoras da clínica, e contra a mediana de 1,99% da ANS. Esse percentual é o que a operadora reporta sobre o valor cobrado pelos prestadores, com dispersão de 0,33% a mais de 10%. Glosa baixa custa menos para a operadora, porque consome menos auditoria dela, e esse é um argumento que o outro lado entende.
  • Prazo praticado contra prazo contratado, medido do envio do lote ao crédito em conta, mês a mês.
  • Histórico de reajuste contra a variação de custo da clínica, com folha e material ao lado do reajuste concedido.

Além do valor do procedimento, cinco variáveis são negociáveis e costumam ter mais espaço que o preço.

  1. Prazo de pagamento. Encurtar o prazo devolve capital de giro, e a conversão de dias em percentual está em dinheiro parado no convênio.
  2. Critério e prazo de recurso de glosa. Prazo maior para contestar e resposta mais rápida reduzem a glosa final, que é a que entra na conta.
  3. Pacote e procedimentos incluídos. Rever o que está embutido num valor fechado costuma valer mais que reajuste percentual.
  4. Material e insumo. Itens de alto custo pagos à parte mudam o resultado por hora. Na odontologia deste exemplo, o material de R$ 60,00 come 40% de uma tabela de R$ 150,00.
  5. Cota de agenda. Reduzir cota mínima devolve à clínica o controle do mix, e costuma ser mais fácil de obter que aumento de tabela.

A norma de contratualização define o que o contrato com a operadora precisa conter, dos prazos de pagamento aos critérios de reajuste e de contestação de glosa. O texto vigente está em dinheiro parado no convênio, e a leitura jurídica do seu contrato é trabalho de advogado.

Antes de descredenciar: os 6 checks dos próximos 60 dias

  1. Contrato e prazo de aviso prévio. Localize a cláusula de rescisão, o prazo de aviso, a forma exigida de comunicação e as obrigações de transição de pacientes em tratamento. Essa leitura vai ao advogado antes de qualquer notificação, porque errar a forma custa mais um ciclo preso ao contrato.
  2. Quanto da carteira particular chegou por indicação de paciente de convênio. Cruze a origem declarada dos particulares dos últimos 12 meses com a base daquela operadora. Se uma fatia relevante veio por indicação de quem entrou pelo convênio, o descredenciamento derruba os dois canais.
  3. O buraco de caixa entre a última guia e a reposição. No exemplo desta série, encerrar a consulta médica no convênio tira R$ 16.891,74 de margem por mês. Repor isso exige 42,12 horas de consulta particular. A 8 horas novas por mês, a margem empata em 5,27 meses, e o caixa demora mais, porque os recebíveis param um ciclo depois da última guia.
  4. O profissional que atende quase só aquela operadora. Levante a distribuição de atendimentos por profissional e por fonte pagadora. Descredenciar sem essa conversa costuma custar o profissional junto com o convênio, e repor profissional demora mais que repor paciente.
  5. Capacidade real de repor agenda ao custo de aquisição medido. Multiplique os pacientes novos necessários pelo custo de aquisição atual e leve o resultado ao orçamento do trimestre. Se o número não couber, o descredenciamento precisa ser mais lento.
  6. O efeito no ciclo de recebimento. Convênio paga em cerca de 58 dias, particular paga entre o ato e 30 dias. A troca melhora o ciclo no regime permanente e piora no mês da transição, que é o mês que precisa de reserva.

Uma clínica que controla essas seis frentes já tem metade do que um BPO financeiro para clínicas e consultórios monta no primeiro mês. A revisão da base de incidência do repasse e do que sobra para o dono depois de tudo isso está em quanto o dono de clínica pode retirar.

O que circula sobre convênio e particular sem nenhuma fonte

Cinco afirmações aparecem com frequência em conteúdo sobre esse tema e nenhuma tem fonte primária identificável. Por isso não aparecem nesta página.

  • O percentual médio que o convênio paga a menos que o particular.
  • O ganho de margem obtido ao reduzir dependência de operadoras.
  • A faixa de margem líquida de uma clínica bem estruturada.
  • O custo fixo médio de uma clínica por porte.
  • A participação da folha dentro do custo fixo.

Onde existe dado com fonte, o caminho é este. A ANS publica indicadores de glosa por operadora, com carga semestral, no conjunto aberto Painel de Indicadores de Glosa. As regras de contratualização estão no portal da agência. O Banco Central publica as taxas de desconto de cartão nas Estatísticas de Meios de Pagamentos. CFM, CFO, COFFITO e CFP publicam levantamentos de oferta de profissionais por especialidade.

Todo o resto sai de medição própria, com protocolo mínimo. Use três competências consecutivas, porque um mês isolado carrega sazonalidade e atraso de lote. Confira guia por guia, porque o total do demonstrativo esconde a diferença. Conte a data do crédito no extrato bancário. Registre a origem do paciente no primeiro contato, porque depois ninguém lembra. O controle das rubricas que sustentam essa medição está em controle de custos.

Perguntas frequentes

Convênio sempre paga menos que particular?

Por atendimento, quase sempre. Por hora de sala, a distância muda de tamanho conforme a modalidade. No exemplo desta série, a consulta médica no convênio entrega R$ 117,30 por hora e a psicologia no particular entrega R$ 73,54. O convênio de uma modalidade pode render mais que o particular de outra, e é por isso que a decisão é por modalidade e por operadora.

Vale a pena entrar em um convênio novo para encher agenda?

Vale quando as três condições da primeira seção estão satisfeitas, e a terceira costuma reprovar o projeto. Calcule a margem por hora com a tabela proposta, usando a glosa que aquela operadora pratica. Confirme que as horas que ela vai ocupar estão hoje vazias. Peça a cota mínima por escrito, porque cota alta transforma o convênio em sócio da sua capacidade.

Como calculo a glosa média da minha operadora?

Pegue três competências consecutivas. Em cada uma, some o valor cobrado nas guias e o valor creditado em conta. A diferença dividida pelo cobrado é a glosa inicial. Depois separe o que foi recuperado do que ficou perdido em definitivo, que é a glosa final e é ela que entra na conta de margem. Guarde as duas taxas: a inicial mede o trabalho administrativo e a final mede o dinheiro.

Fisioterapia e psicologia têm a mesma conta que clínica médica?

A mecânica é idêntica e o denominador muda. Fisioterapia supervisionada tem atendimento simultâneo, então três pacientes dividem a mesma hora de sala. Psicologia é um a um, com a hora de sala valendo um atendimento. Odontologia é hora de cadeira, com material pesando muito mais. Rodar as quatro sem declarar quantos atendimentos cabem na hora produz um ranking que mede o denominador.

Descredenciar derruba o faturamento por quanto tempo?

Depende do prazo daquela operadora e da velocidade de reposição por particular, duas variáveis que a clínica mede antes de decidir. O faturamento cai no mês seguinte ao último atendimento, e o caixa cai um ciclo depois, quando o último lote é pago. No exemplo desta série, repondo 8 horas por mês, a margem empata em 5,27 meses. Repondo 4 horas, empata em 10,53 meses, e esse cenário exige reserva.

O contrato com a operadora limita o que posso cobrar do particular?

Isso é matéria contratual e precisa ser lido no seu contrato, cláusula por cláusula. A conduta de cobrança passa pelo código de ética do seu conselho, que tem regra própria sobre honorário e cobrança de complemento. A resposta tem dois endereços: leia o contrato com o advogado e consulte o conselho da sua categoria.

Esta conta depende de números que a maioria das clínicas ainda não extraiu do extrato e da agenda. Levantar esse conjunto antes de decidir mix é o que o Raio-X de 30 dias do BPO financeiro da BID faz.

Cliente – Calculadora – Final

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