A resposta curta: convênio compra ocupação, e ocupação paga enquanto houver hora vazia e enquanto o particular ainda for caro de trazer
A pergunta costuma ser respondida com preço de tabela. Preço de tabela é o número que menos importa aqui. O que decide é quanto sobra por hora de sala, depois de tudo que o dinheiro perde no caminho, e quantas horas cada canal ocupa de fato.
Uma clínica com agenda cheia e uma clínica com 37,50% de ociosidade tomam decisões opostas com a mesma tabela de honorários. As duas estão certas. A diferença está no denominador.
Esta página resolve a decisão de mix e parte do diagnóstico pronto. A reconstrução do mês linha a linha, com o extrato classificado por CPF e CNPJ, está em clínica faturando bem e sem lucro.
A regra de decisão com as três condições
Manter ou ampliar um convênio faz sentido quando as três condições valem ao mesmo tempo. Se uma cair, a conclusão muda.
- A margem de contribuição por hora daquele canal é positiva. Depois de glosa, imposto, repasse e material, ainda sobra dinheiro naquela hora. Custo fixo fica fora dessa conta.
- Existe hora disponível que o particular não preencheria. Quando o convênio ocupa uma hora que o particular pagaria melhor, a clínica trocou margem por agenda.
- A clínica consegue repor aquela hora com particular ao custo de aquisição que ela mede hoje. Esta é a condição que quase ninguém escreve, e é a que quebra clínica. Descredenciar sem saber quanto custa trazer um paciente novo transforma margem alta em agenda vazia.
A terceira condição pede um teste. Divida o gasto de captação dos últimos 12 meses pelos pacientes particulares novos do mesmo período. Depois olhe quantos pacientes novos a clínica trouxe no melhor mês do ano. Esse é o teto realista de reposição, e ele quase nunca é elástico.
Os 4 números que decidem, e onde encontrar cada um
| Número | Definição | Onde buscar |
|---|---|---|
| Margem por hora do particular | Preço praticado menos taxa de meio de pagamento, inadimplência, desconto, imposto, repasse e material, dividido pelas horas de sala entregues | Agenda, extrato da adquirente e contrato de repasse |
| Margem por hora daquela operadora | Valor pago em conta, sem o faturado, menos glosa final, imposto, repasse e material | Demonstrativo, guias e extrato bancário |
| Taxa de ocupação real, com denominador declarado | Horas ocupadas divididas pelas horas de sala abertas, ou pelas horas de agenda contratada, com a escolha declarada | Agenda, número de salas, horário de funcionamento e escala |
| Custo de aquisição por paciente particular novo | Gasto de mídia mais comissão de captação, dividido pelos pacientes particulares novos | Fatura de mídia, folha de comissão e cadastro de primeira consulta |
Ocupação sem denominador declarado funciona como opinião. A escolha entre hora de sala aberta e hora de agenda contratada move o número medido, e o critério para escolher está em custo da hora da clínica.
O erro que faz o convênio parecer viável depois que ele já virou desconto
O erro tem nome: rateio de custo fixo por procedimento. Cada queda de volume aumenta o custo unitário, o que condena um convênio que ainda contribui e alimenta uma espiral de cortes, demonstrada em custo da hora da clínica.
Nesta página o custo fixo fica abaixo da linha, e no exemplo desta série ele soma R$ 105.436,00 no mês, ou R$ 91,52 por hora de sala aberta. Esse número volta no ponto de equilíbrio e na decisão de abrir ou fechar sala, com a conta em custo da hora da clínica.
As 6 deduções entre o preço de tabela e o que cai na conta
Entre o valor da tabela e o dinheiro na conta existem seis deduções neste exemplo. Uma é exclusiva do convênio, duas são exclusivas do particular e três atingem os dois canais, com pesos diferentes. Nenhuma aparece no contrato com o nome de desconto.

| Dedução | Canal | Como medir na sua clínica | Onde o dado está |
|---|---|---|---|
| Glosa final | Convênio | Valor glosado que a clínica perdeu em definitivo, dividido pelo cobrado da mesma competência | Demonstrativo confrontado com o lote de guias |
| Taxa de meio de pagamento | Particular | Taxa efetiva por bandeira e por parcela, ponderada pelo mix real de pagamento | Extrato de liquidação da adquirente, não a tabela comercial dela |
| Inadimplência | Particular | Valor não recebido sobre a receita particular bruta da mesma competência | Contas a receber vencidas, competência por competência |
| Imposto sobre a receita | Os dois | Alíquota efetiva aplicada sobre a receita bruta de cada canal | Guia de recolhimento do mês, com a alíquota confirmada pelo contador |
| Repasse ao profissional | Os dois | Percentual contratado aplicado sobre a base de incidência que o contrato define | Contrato de repasse e relatório de produção por profissional |
| Material e insumo | Os dois | Consumo por atendimento, apurado por procedimento e não por média da clínica | Nota de compra, controle de estoque e ficha do procedimento |
Três custos que a clínica paga e que não entram na margem por hora
Custo de aquisição do paciente particular, custo administrativo de faturar convênio e custo do prazo da operadora são reais e saem do caixa. Nenhum dos três entra na margem por hora deste exemplo, e o motivo é diferente em cada caso.
O custo de aquisição e o custo de faturar vivem dentro do custo fixo do mês. A captação está na linha de marketing e captação, de R$ 6.000,00. O faturamento está na folha CLT de recepção, faturamento e administrativo, de R$ 28.400,00. Jogar qualquer um dos dois para dentro do procedimento é o rateio que a seção anterior descartou.
O custo do prazo é de outra natureza. São cerca de 58 dias entre o atendimento e o crédito, que consomem capital de giro, pelo ciclo detalhado em dinheiro parado no convênio.
Os três voltam na decisão, e voltam fora da margem por hora. O custo de aquisição decide se a hora de convênio pode ser reposta por particular, e é ele que fecha ou não a terceira condição da regra.
Convênio: glosa final, a diferença entre o valor cobrado e o valor pago
Três palavras precisam ficar separadas antes de qualquer conta. Glosa inicial é o que a operadora glosou na primeira análise. Glosa final é o que permaneceu glosado depois do recurso. A que entra na margem é a final, porque é a única que virou dinheiro perdido em definitivo. Glosa recorrida e recuperada mede trabalho administrativo.
Os subtipos também não se confundem. Glosa técnica questiona o ato assistencial: procedimento sem indicação registrada, quantidade incompatível com a evolução, item que a operadora entende como incluído em outro. Glosa administrativa questiona a forma: guia fora do prazo, autorização ausente, dado cadastral divergente, código errado. A administrativa é a que a clínica corrige sozinha, e é onde o recurso costuma ganhar.
Existe base pública sobre isso. A ANS publica o Painel de Indicadores de Glosa em dados abertos, por operadora, com carga semestral. Os números abaixo vêm dessa base, no recorte do segundo semestre de 2025.
| Indicador | Percentual do valor cobrado |
|---|---|
| Glosa inicial, mediana | 2,04% |
| Glosa final, quartil inferior | 0,33% |
| Glosa final, mediana | 1,99% |
| Glosa final, quartil superior | 5,11% |
| Glosa final, nono decil | 10,39% |
A distância entre o quartil inferior e o nono decil é de mais de trinta vezes. Uma operadora no 0,33% e uma operadora no 10,39% cobram preços diferentes pelo mesmo contrato, e nenhuma média do setor descreve as duas.
O número mais duro está na comparação entre glosa inicial e glosa final, nas mesmas 838 operadoras.
| Resultado do recurso | Operadoras | Percentual da base |
|---|---|---|
| Reduziram a glosa | 140 | 16,7% |
| Terminaram o semestre com o percentual idêntico | 684 | 81,6% |
| Pioraram | 14 | 1,7% |
| Não melhorou em nada | 698 | 83,3% |
Entre as 140 que reduziram, a redução mediana foi de 0,18 ponto percentual. O recurso funciona pouco e move pouco, na escala do setor inteiro.
A ressalva acompanha o dado toda vez que ele for usado. É o percentual que a operadora reporta sobre o valor cobrado pelos prestadores. Ele não descreve a glosa que uma clínica específica sofre, e a dispersão vai de 0,33% a mais de 10% entre o quartil inferior e o nono decil. O uso correto é como régua de comparação contra o que você mediu, nunca como expectativa.
Duas leituras não cabem nesse dado. O painel publica percentual, sem valor monetário, então ele não diz quanto dinheiro o recurso devolveu. E o indicador é apurado por operadora, então ele não diz que o seu recurso falha. Ele diz que planejar caixa contando com recuperação é apostar contra a distribuição.
Para medir a sua, o protocolo é curto. Pegue três competências consecutivas. Some o valor cobrado nas guias e o valor creditado em conta. A diferença dividida pelo cobrado é a glosa inicial. Separe o que voltou depois do recurso, e o que restou é a glosa final, que é a que entra na margem.
Particular: taxa de meio de pagamento, inadimplência e desconto de pacote
O particular também perde valor entre a tabela e a conta. No exemplo desta série, a taxa de meio de pagamento é de 2,2% e a inadimplência é de 1,5%, as duas sobre a receita particular bruta. As duas são premissas declaradas, e a sua clínica mede as suas.
A taxa sai do extrato de liquidação da adquirente, não da tabela comercial dela. A inadimplência sai do contas a receber vencido, competência por competência. O desconto médio de pacote costuma viver fora de qualquer relatório, porque é negociado na recepção, e ele não existe como linha no exemplo desta série.
Particular: custo de aquisição do paciente novo
O convênio entrega paciente pronto. O particular precisa ser comprado, e o preço dessa compra é medido: gasto de mídia mais comissão de captação, dividido pelos pacientes particulares novos do período.
Esse número não existe no exemplo desta série, e a ausência é a própria advertência. O que existe é a verba, de R$ 6.000,00 de marketing e captação dentro do custo fixo do mês. Quantos pacientes novos essa verba traz é medição de cada clínica, e sem ela a decisão de mix não fecha.
Um cuidado muda o resultado quando você for medir. Separe paciente novo de paciente recorrente, porque o custo de aquisição foi pago uma vez e já está amortizado quando o mesmo paciente volta. Uma conferência fecha a conta: a soma do que você deduziu no mês precisa dar o desembolso do mês.
A variável seguinte é o teto de demanda. A tabela abaixo inverte a pergunta e mostra quanto cada modalidade precisa devolver para uma verba dobrada se pagar, com as margens por hora calculadas mais adiante nesta página.
| Modalidade | Margem por hora do particular | Horas novas para a verba se pagar | Atendimentos correspondentes | Peso sobre as 432 horas de sala vazias |
|---|---|---|---|---|
| Consulta médica | R$ 401,01 | 14,96 h | 44,88 | 3,46% |
| Fisioterapia | R$ 168,38 | 35,63 h | 106,89 | 8,25% |
| Psicologia | R$ 73,54 | 81,59 h | 81,59 | 18,89% |
| Odontologia | R$ 206,51 | 29,05 h | 29,05 | 6,72% |
Leia a última coluna como risco de execução. Na consulta médica, a verba dobrada precisa de 3,46% da capacidade vazia para se pagar. Na psicologia, precisa de 18,89%, e aí o limite deixa de ser a sala e passa a ser a demanda da praça.
A conta em 9 passos: margem de contribuição por hora, canal por canal
A partir daqui, todos os valores vêm da clínica ilustrativa desta série. Nenhum número é de cliente. É a mesma clínica das outras cinco páginas, com as mesmas premissas de capacidade, de preço e de regime tributário.
| Premissa | Valor |
|---|---|
| Funcionamento | 4 salas, 12 horas por dia, 24 dias por mês |
| Horas de sala abertas | 288 por sala, 1.152 no mês |
| Horas ocupadas | 720, ocupação de 62,50% |
| Regime tributário assumido | Lucro Presumido, sem equiparação hospitalar, presunção de 32% |
| Imposto sobre a receita | 16,88% efetivos sobre a receita bruta |
| Glosa final sobre o convênio | 4,0%, entre a mediana e o quartil superior da distribuição da ANS, com a ressalva de leitura da seção de glosa final |
| Inadimplência sobre o particular | 1,5% |
| Taxa de meio de pagamento sobre o particular | 2,2% |
| Repasse | 45% na consulta médica, 40% na fisioterapia, 50% na psicologia, 35% na odontologia |
| Material por atendimento | R$ 4,00 na consulta, R$ 3,00 na fisioterapia, zero na psicologia, R$ 60,00 na odontologia |
| Receita bruta do mês | R$ 308.780,00, sendo R$ 86.580,00 de convênio e R$ 222.200,00 de particular |
| Fatia de cada fonte pagadora | 28,04% convênio e 71,96% particular |
A alíquota efetiva de 16,88% é premissa do exemplo e precisa ser confirmada com o seu contador, porque a equiparação a serviços hospitalares e o enquadramento mudam esse número. O repasse do convênio incide sobre o valor pago pela operadora, já líquido de glosa. O repasse do particular incide sobre o preço cheio, e a comparação entre as duas bases está em qual percentual de repasse reter.
Passos 1 e 2: escolher a unidade de cada modalidade e levantar a receita bruta por hora
O passo 1 é o que a maioria dos comparativos pula, e ele decide o ranking inteiro. Comparar especialidades sem declarar quantos atendimentos cabem na hora produz um ranking que é artefato do denominador. O critério de escolha da unidade, com o fator de simultaneidade desenvolvido, está em como calcular o custo da hora da clínica.
As quatro modalidades usam a mesma unidade, que é a hora de sala. O que muda entre elas é quantos atendimentos cabem dentro dessa hora. Na fisioterapia isso vem da supervisão simultânea, e na consulta médica vem da duração de cada consulta.
| Modalidade | Unidade declarada | Atendimentos por hora de sala | Preço particular | Preço convênio | Bruta por hora, particular | Bruta por hora, convênio |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Consulta médica | Hora de sala, consultas de 20 minutos | 3 | R$ 400,00 | R$ 120,00 | R$ 1.200,00 | R$ 360,00 |
| Fisioterapia | Hora de sala, 3 pacientes em atendimento simultâneo | 3 | R$ 150,00 | R$ 60,00 | R$ 450,00 | R$ 180,00 |
| Psicologia | Hora de sala, um a um | 1 | R$ 250,00 | R$ 90,00 | R$ 250,00 | R$ 90,00 |
| Odontologia | Hora de cadeira, um a um | 1 | R$ 600,00 | R$ 150,00 | R$ 600,00 | R$ 150,00 |
Repare no que o denominador faz com a odontologia. O procedimento odontológico é o item mais caro da tabela nos dois canais, a R$ 600,00 no particular e a R$ 150,00 no convênio. Por hora de sala ele rende R$ 600,00 e R$ 150,00. A consulta médica rende R$ 1.200,00 e R$ 360,00, porque três consultas cabem na hora em que cabe um procedimento.
Passos 3 a 5: glosa, imposto, inadimplência e taxa de meio de pagamento
Convênio com glosa final de 4%, aplicada sobre o faturamento daquele canal. O imposto de 16,88% incide sobre a receita bruta das duas fontes pagadoras, sem distinção entre elas.
No particular, a inadimplência de 1,5% e a taxa de meio de pagamento de 2,2% incidem sobre a receita bruta do canal. Juntas somam 3,7%, contra os 4% de glosa do convênio. As duas pontas são parecidas em percentual e muito diferentes em valor, porque o particular fatura R$ 222.200,00 e o convênio fatura R$ 86.580,00.
O custo de aquisição não entra aqui, pelo motivo já declarado. Ele está dentro do custo fixo do mês e reaparece como teste da terceira condição, no momento de decidir a reposição de agenda.
Passos 6 e 7: repasse do profissional e material
O repasse do exemplo incide sobre a receita bruta no particular, que é como quase toda clínica contrata. Essa base transfere a inadimplência e a taxa de cartão inteiras para a clínica. No convênio ele incide sobre o valor pago, o que divide a glosa entre a clínica e o profissional.
Material por atendimento: R$ 4,00 na consulta, R$ 3,00 na sessão de fisioterapia, zero na psicologia e R$ 60,00 no procedimento odontológico. O material da odontologia é a linha que mais mexe no resultado por hora daquela sala.
| Linha | Particular | Convênio |
|---|---|---|
| Receita bruta da hora de sala, 3 atendimentos | R$ 1.200,00 | R$ 360,00 |
| Glosa final, 4% sobre o convênio | R$ 0,00 | R$ 14,40 |
| Inadimplência, 1,5% sobre o particular | R$ 18,00 | R$ 0,00 |
| Taxa de meio de pagamento, 2,2% sobre o particular | R$ 26,40 | R$ 0,00 |
| Imposto sobre a receita, 16,88% sobre a bruta | R$ 202,59 | R$ 60,78 |
| Repasse do profissional, 45% | R$ 540,00 | R$ 155,52 |
| Material, R$ 4,00 por atendimento | R$ 12,00 | R$ 12,00 |
| Margem de contribuição por hora de sala | R$ 401,01 | R$ 117,30 |
Na coluna do convênio, o repasse de R$ 155,52 é 45% dos R$ 345,60 que sobram depois da glosa. Na coluna do particular, o repasse de R$ 540,00 é 45% dos R$ 1.200,00 cheios. Essa diferença de base vale R$ 6,48 por hora para a clínica, e é o único ponto em que a glosa é dividida com o profissional.
Passo 8: margem por hora, os dois canais lado a lado
| Modalidade | Margem por hora, convênio | Margem por hora, particular | Diferença por hora |
|---|---|---|---|
| Consulta médica | R$ 117,30 | R$ 401,01 | R$ 283,71 |
| Fisioterapia | R$ 64,29 | R$ 168,38 | R$ 104,09 |
| Psicologia | R$ 28,01 | R$ 73,54 | R$ 45,53 |
| Odontologia | R$ 8,28 | R$ 206,51 | R$ 198,23 |

A ordem por hora de sala não repete a ordem por preço de atendimento. O convênio paga R$ 150,00 pelo procedimento odontológico, o maior preço de convênio da tabela, e devolve R$ 8,28 por hora de sala, o menor de todos. O material de R$ 60,00 consome quase toda a diferença.
A odontologia particular faz o caminho inverso. O mesmo material de R$ 60,00 pesa pouco sobre um preço de R$ 600,00, e a margem por hora sobe para R$ 206,51. O sinal da decisão está no contrato daquela operadora, e não na especialidade.
Nenhuma das oito margens por hora deste exemplo é negativa. Positiva ainda não quer dizer suficiente, porque o custo da estrutura é do mês inteiro e volta no ponto de equilíbrio. Ratear esse custo dentro da hora inverte a conclusão, e a demonstração está em custo da hora da clínica.
Passo 9: multiplicar pela ocupação real de cada canal
Margem por hora ordena. Contribuição mensal decide. O canal de menor margem por hora pode contribuir mais no mês, porque ocupa mais horas, e é isso que a tabela abaixo testa.
| Modalidade | Horas convênio | Contribuição convênio | Horas particular | Contribuição particular |
|---|---|---|---|---|
| Consulta médica | 144 h | R$ 16.891,74 | 96 h | R$ 38.497,20 |
| Fisioterapia | 140 h | R$ 9.000,86 | 60 h | R$ 10.102,78 |
| Psicologia | 56 h | R$ 1.568,33 | 104 h | R$ 7.648,61 |
| Odontologia | 30 h | R$ 248,30 | 90 h | R$ 18.585,56 |
| Total | 370 h | R$ 27.709,23 | 350 h | R$ 74.834,15 |
Os três percentuais juntos mudam a conversa. O convênio ocupa 370 das 720 horas ocupadas, ou 51,39%. Ele traz 28,04% da receita bruta e devolve 27,02% da margem de contribuição.
Neste mix, o volume de horas do convênio não se converte em contribuição proporcional. A hora ocupada de convênio devolve R$ 74,89 e a hora ocupada de particular devolve R$ 213,81, contra a média de R$ 142,42 do mês inteiro.
Esse resultado vale para este mix e para estes contratos. Uma tabela de convênio 20% melhor ou um material 20% mais barato mudam a conclusão, e é por isso que a conta se refaz a cada renegociação.
A tabela acima mistura duas medidas, e vale declarar. As margens são de produção, calculadas sobre o que foi entregue no mês, e o custo fixo é desembolso do mês. A diferença entre as duas leituras está em DRE e fluxo de caixa.
Esse mês fecha negativo em R$ 2.892,61, com a margem de contribuição de R$ 102.543,39 contra o custo fixo de R$ 105.436,00. A reconstrução linha a linha, com o extrato classificado por CPF e CNPJ, está em clínica faturando bem e sem lucro.
No mix atual, o ponto de equilíbrio fica em 740,31 horas ocupadas, ou 64,26% de ocupação. Ele se move junto com a margem média por hora, e o cálculo está em custo da hora da clínica.
A ociosidade do mês é de 37,50%, o que dá 432 horas de sala que a clínica pagou e não vendeu. A leitura dessa ociosidade sala por sala e faixa por faixa está em clínica faturando bem e sem lucro.
O ponto de virada: quando o convênio deixa de ser volume e vira desconto
O convênio vira desconto no minuto em que a hora que ele ocupa deixa de ser uma hora que ficaria vazia. A partir daí, cada hora de convênio custa a diferença entre as duas margens.
A conta do custo de oportunidade, e por que ela depende do custo de aquisição
A fórmula tem três termos. Margem por hora do particular, menos margem por hora do convênio, multiplicado pelas horas efetivamente deslocadas no mês. O terceiro termo separa a conta correta da conta de planilha.
Veja os dois cenários sobre a diferença de R$ 2.892,61 que falta para o mês empatar. Com 432 horas de sala vazias, preencher 7,21 horas de consulta médica particular cobre a diferença, a R$ 401,01 por hora. Nenhuma hora de convênio sai da agenda nesse caminho.
Agora a variante com a agenda cheia, declarada como outro cenário. Aí cada hora de particular tira uma hora de convênio, o ganho por hora cai para os R$ 283,71 de diferença, e são necessárias 10,20 horas. Mesma clínica, mesma tabela, e dois esforços que se separam pela ociosidade.
A terceira condição da regra decide qual dos dois cenários você está vivendo. Sem o custo de aquisição medido e sem o teto de demanda da praça, as 7,21 horas são um número de planilha.
Como estimar a demanda de particular que a clínica consegue atender
- Taxa de recusa por agenda cheia. Quantos contatos particulares por mês ouviram que não havia horário e não voltaram. A recepção precisa registrar isso, e a maioria não registra.
- Tempo até a próxima vaga, por especialidade. Fila de 3 dias e fila de 25 dias descrevem clínicas diferentes. A segunda tem demanda reprimida e pode rever preço antes de pensar em mix.
- Lista de espera declarada. Nome, especialidade, data do contato e o que foi oferecido.
- Histórico do custo de aquisição. Custo estável ao dobrar a verba indica espaço. Custo que sobe rápido indica praça saturada, e aí a reposição tem limite estreito.
O limite de concentração em uma única operadora
Concentração de fonte pagadora é risco de caixa, e se trata em caixa. Quando uma única operadora responde por metade ou mais da receita, a decisão unilateral dela vira evento de sobrevivência. Atraso de lote, glosa em massa ou descredenciamento unilateral param a folha no mês seguinte.
A leitura correta cruza duas concentrações: a da fonte pagadora e a da linha de serviço. Uma clínica em que 60% da receita vem de uma operadora, e 70% dessa receita vem de uma especialidade, tem uma operação só. O exercício que antecipa o problema está em montar o fluxo de caixa com o cenário de perda daquela fonte, mês a mês.
Ferramenta gratuita
Compare os seus canais por hora de sala
A calculadora de margem por hora aceita o preço de convênio e de particular de cada modalidade, e mostra lado a lado o que cada arranjo deixa por hora ocupada.
Quadro de decisão: 4 cenários de mix e o que fazer em cada um

| Cenário | Diagnóstico | Ação | Prazo | Risco | Indicador em 90 dias |
|---|---|---|---|---|---|
| Ociosidade alta, margem do convênio positiva | A hora vazia custa o mesmo ocupada ou não | Ampliar cota de agenda no convênio, nos horários de baixa procura | Imediato | Ampliar cota e depois não conseguir sair dela | Ocupação total subindo com margem por hora estável |
| Agenda cheia, margem do convênio abaixo da do particular | O convênio está deslocando particular | Transição por horário, sem descredenciar | 90 a 180 dias | Perder o convênio por não cumprir cota mínima | Margem média por hora subindo com ocupação mantida |
| Margem de contribuição do convênio negativa | Cada hora vendida consome caixa | Renegociar tabela ou encerrar o contrato | 60 a 90 dias | Perder particulares que chegaram por indicação daquele convênio | Resultado do mês subindo mesmo com queda de faturamento |
| Uma operadora concentra a maior parte da receita | Risco de sobrevivência antes de qualquer discussão de margem | Reduzir concentração antes de decidir mix | 180 a 360 dias | Mexer na maior fonte de receita sem substituta pronta | Participação da maior operadora caindo sem queda de receita total |
Ociosidade alta e margem positiva no convênio
Aqui o convênio trabalha a favor, e a cota tem tamanho calculável. Levante na agenda dos últimos 6 meses as horas vazias por sala e por faixa de horário, e peça como cota no máximo esse teto, faixa por faixa. Aceite a tabela enquanto a margem por hora dela ficar positiva depois de glosa, imposto, repasse e material. E escreva o gatilho de revisão: quando a ocupação particular daquela faixa passar do patamar que você definiu, a cota volta para a mesa.
Agenda cheia e margem do convênio abaixo da do particular
A transição por horário resolve sem romper contrato, em três passos. Primeiro, identifique os horários de maior demanda particular pela distribuição real dos agendamentos dos últimos 6 meses. Segundo, transfira esses horários para particular em lotes de 4 a 8 horas por mês, medindo a ocupação de cada lote antes de liberar o próximo. Terceiro, mantenha o convênio nos horários de baixa procura, que continuam contribuindo.
Margem de contribuição do convênio negativa
Nenhuma das quatro modalidades do exemplo desta série está nesse cenário. Ele aparece na prática, e costuma vir de procedimento com material caro sobre tabela antiga. Margem negativa tem duas saídas e nenhuma terceira. A primeira é renegociar a tabela até a margem virar positiva, com os números na mão. A segunda é encerrar o contrato.
Uma operadora concentra a maior parte da receita
Nesse cenário, a discussão de margem espera. Primeiro vem o plano de redução de concentração, com três frentes que correm juntas. Abrir um segundo convênio de porte parecido. Ampliar a base particular na especialidade que depende daquela operadora. Construir reserva de caixa para 60 dias de folha. Só depois a clínica negocia tabela de verdade, porque só aí a palavra que recusa volta a estar disponível.
Renegociar a tabela antes de descredenciar: o que pedir e com que dado
Renegociação sem dado vira pedido. Com dado, vira proposta. O dossiê que dá poder de barganha usa informação que a clínica já tem, e cabe em duas páginas.
- Atendimentos entregues por competência, nos últimos 12 meses, por especialidade e por procedimento.
- Valor cobrado e valor pago, na mesma base, com a diferença explicitada.
- Glosa final daquela operadora contra as outras operadoras da clínica, e contra a mediana de 1,99% da ANS. Esse percentual é o que a operadora reporta sobre o valor cobrado pelos prestadores, com dispersão de 0,33% a mais de 10%. Glosa baixa custa menos para a operadora, porque consome menos auditoria dela, e esse é um argumento que o outro lado entende.
- Prazo praticado contra prazo contratado, medido do envio do lote ao crédito em conta, mês a mês.
- Histórico de reajuste contra a variação de custo da clínica, com folha e material ao lado do reajuste concedido.
Além do valor do procedimento, cinco variáveis são negociáveis e costumam ter mais espaço que o preço.
- Prazo de pagamento. Encurtar o prazo devolve capital de giro, e a conversão de dias em percentual está em dinheiro parado no convênio.
- Critério e prazo de recurso de glosa. Prazo maior para contestar e resposta mais rápida reduzem a glosa final, que é a que entra na conta.
- Pacote e procedimentos incluídos. Rever o que está embutido num valor fechado costuma valer mais que reajuste percentual.
- Material e insumo. Itens de alto custo pagos à parte mudam o resultado por hora. Na odontologia deste exemplo, o material de R$ 60,00 come 40% de uma tabela de R$ 150,00.
- Cota de agenda. Reduzir cota mínima devolve à clínica o controle do mix, e costuma ser mais fácil de obter que aumento de tabela.
A norma de contratualização define o que o contrato com a operadora precisa conter, dos prazos de pagamento aos critérios de reajuste e de contestação de glosa. O texto vigente está em dinheiro parado no convênio, e a leitura jurídica do seu contrato é trabalho de advogado.
Antes de descredenciar: os 6 checks dos próximos 60 dias
- Contrato e prazo de aviso prévio. Localize a cláusula de rescisão, o prazo de aviso, a forma exigida de comunicação e as obrigações de transição de pacientes em tratamento. Essa leitura vai ao advogado antes de qualquer notificação, porque errar a forma custa mais um ciclo preso ao contrato.
- Quanto da carteira particular chegou por indicação de paciente de convênio. Cruze a origem declarada dos particulares dos últimos 12 meses com a base daquela operadora. Se uma fatia relevante veio por indicação de quem entrou pelo convênio, o descredenciamento derruba os dois canais.
- O buraco de caixa entre a última guia e a reposição. No exemplo desta série, encerrar a consulta médica no convênio tira R$ 16.891,74 de margem por mês. Repor isso exige 42,12 horas de consulta particular. A 8 horas novas por mês, a margem empata em 5,27 meses, e o caixa demora mais, porque os recebíveis param um ciclo depois da última guia.
- O profissional que atende quase só aquela operadora. Levante a distribuição de atendimentos por profissional e por fonte pagadora. Descredenciar sem essa conversa costuma custar o profissional junto com o convênio, e repor profissional demora mais que repor paciente.
- Capacidade real de repor agenda ao custo de aquisição medido. Multiplique os pacientes novos necessários pelo custo de aquisição atual e leve o resultado ao orçamento do trimestre. Se o número não couber, o descredenciamento precisa ser mais lento.
- O efeito no ciclo de recebimento. Convênio paga em cerca de 58 dias, particular paga entre o ato e 30 dias. A troca melhora o ciclo no regime permanente e piora no mês da transição, que é o mês que precisa de reserva.
Uma clínica que controla essas seis frentes já tem metade do que um BPO financeiro para clínicas e consultórios monta no primeiro mês. A revisão da base de incidência do repasse e do que sobra para o dono depois de tudo isso está em quanto o dono de clínica pode retirar.
O que circula sobre convênio e particular sem nenhuma fonte
Cinco afirmações aparecem com frequência em conteúdo sobre esse tema e nenhuma tem fonte primária identificável. Por isso não aparecem nesta página.
- O percentual médio que o convênio paga a menos que o particular.
- O ganho de margem obtido ao reduzir dependência de operadoras.
- A faixa de margem líquida de uma clínica bem estruturada.
- O custo fixo médio de uma clínica por porte.
- A participação da folha dentro do custo fixo.
Onde existe dado com fonte, o caminho é este. A ANS publica indicadores de glosa por operadora, com carga semestral, no conjunto aberto Painel de Indicadores de Glosa. As regras de contratualização estão no portal da agência. O Banco Central publica as taxas de desconto de cartão nas Estatísticas de Meios de Pagamentos. CFM, CFO, COFFITO e CFP publicam levantamentos de oferta de profissionais por especialidade.
Todo o resto sai de medição própria, com protocolo mínimo. Use três competências consecutivas, porque um mês isolado carrega sazonalidade e atraso de lote. Confira guia por guia, porque o total do demonstrativo esconde a diferença. Conte a data do crédito no extrato bancário. Registre a origem do paciente no primeiro contato, porque depois ninguém lembra. O controle das rubricas que sustentam essa medição está em controle de custos.
Perguntas frequentes
Convênio sempre paga menos que particular?
Por atendimento, quase sempre. Por hora de sala, a distância muda de tamanho conforme a modalidade. No exemplo desta série, a consulta médica no convênio entrega R$ 117,30 por hora e a psicologia no particular entrega R$ 73,54. O convênio de uma modalidade pode render mais que o particular de outra, e é por isso que a decisão é por modalidade e por operadora.
Vale a pena entrar em um convênio novo para encher agenda?
Vale quando as três condições da primeira seção estão satisfeitas, e a terceira costuma reprovar o projeto. Calcule a margem por hora com a tabela proposta, usando a glosa que aquela operadora pratica. Confirme que as horas que ela vai ocupar estão hoje vazias. Peça a cota mínima por escrito, porque cota alta transforma o convênio em sócio da sua capacidade.
Como calculo a glosa média da minha operadora?
Pegue três competências consecutivas. Em cada uma, some o valor cobrado nas guias e o valor creditado em conta. A diferença dividida pelo cobrado é a glosa inicial. Depois separe o que foi recuperado do que ficou perdido em definitivo, que é a glosa final e é ela que entra na conta de margem. Guarde as duas taxas: a inicial mede o trabalho administrativo e a final mede o dinheiro.
Fisioterapia e psicologia têm a mesma conta que clínica médica?
A mecânica é idêntica e o denominador muda. Fisioterapia supervisionada tem atendimento simultâneo, então três pacientes dividem a mesma hora de sala. Psicologia é um a um, com a hora de sala valendo um atendimento. Odontologia é hora de cadeira, com material pesando muito mais. Rodar as quatro sem declarar quantos atendimentos cabem na hora produz um ranking que mede o denominador.
Descredenciar derruba o faturamento por quanto tempo?
Depende do prazo daquela operadora e da velocidade de reposição por particular, duas variáveis que a clínica mede antes de decidir. O faturamento cai no mês seguinte ao último atendimento, e o caixa cai um ciclo depois, quando o último lote é pago. No exemplo desta série, repondo 8 horas por mês, a margem empata em 5,27 meses. Repondo 4 horas, empata em 10,53 meses, e esse cenário exige reserva.
O contrato com a operadora limita o que posso cobrar do particular?
Isso é matéria contratual e precisa ser lido no seu contrato, cláusula por cláusula. A conduta de cobrança passa pelo código de ética do seu conselho, que tem regra própria sobre honorário e cobrança de complemento. A resposta tem dois endereços: leia o contrato com o advogado e consulte o conselho da sua categoria.
Esta conta depende de números que a maioria das clínicas ainda não extraiu do extrato e da agenda. Levantar esse conjunto antes de decidir mix é o que o Raio-X de 30 dias do BPO financeiro da BID faz.








